Com 31 ações realizadas em diferentes pontos do município, mobilização aproximou a população da rede de proteção

Por muito tempo, Deusamira Silva precisou lidar com uma realidade que muitas mulheres ainda enfrentam: a violência. O momento de procurar ajuda não foi simples. Houve medo, insegurança e o receio de ser julgada. Mas a decisão de denunciar também abriu caminho para uma nova etapa de sua vida.
A partir do atendimento no Centro de Referência Especializado no Atendimento à Mulher (CREAM), Deusamira encontrou acolhimento e acompanhamento para seguir em frente. Hoje, ao olhar para a própria trajetória, ela se reconhece de outra forma. “Dar o primeiro passo não é fácil. Mas, a partir do momento que eu dei esse primeiro passo, consegui esse apoio e consegui me erguer. Hoje eu me vejo uma mulher guerreira. Através do CREAM, consegui encaminhamento para psicólogas, auxílio jurídico e outros atendimentos que foram importantes para eu superar a situação de violência” , relata.

A história de Deusamira ajuda a mostrar, na prática, por que falar sobre violência, orientar e fortalecer os caminhos de acesso à proteção são ações tão importantes.
Uma rede que acolhe
A Prefeitura de Itabira, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) e do CREAM, mantém uma rede de acolhimento e proteção às mulheres em situação de violência.
O serviço conta com duas unidades de atendimento: uma instalada no prédio da SMAS e outra que atua diretamente na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), da Polícia Civil de Itabira, ampliando a integração entre os serviços de assistência e segurança pública e facilitando o acesso das mulheres à rede de proteção.
Durante o Agosto Lilás, essa rede ampliou sua presença em escolas, comunidades e instituições do município, levando informação e promovendo espaços de diálogo sobre prevenção e enfrentamento. Ao longo da programação, foram realizadas 31 ações no território itabirano, alcançando mais de 1,4 mil participantes.
Mulheres, homens, adolescentes, trabalhadores e grupos comunitários participaram de rodas de conversa, palestras, mesas-redondas, entrevistas e ações educativas. A estratégia foi levar a discussão para diferentes espaços e públicos, ampliando o conhecimento sobre a violência contra a mulher.
Entre os temas abordados estiveram a Lei Maria da Penha, o ciclo da violência, a identificação de situações de risco, a importância da denúncia, o papel dos homens na prevenção e no enfrentamento e a atuação da rede de proteção.
Para a secretária municipal de Assistência Social, Nélia Cunha, esse trabalho precisa ser permanente. “O Agosto Lilás nos mostra que o enfrentamento à violência contra a mulher precisa estar presente durante todo o ano e envolver toda a sociedade. Mobilizamos nossas equipes e estivemos em diferentes territórios, escolas, unidades de saúde, empresas, comunidades e equipamentos públicos para levar informação e fortalecer a rede de proteção. Cada conversa realizada representa uma oportunidade de orientar, prevenir e, principalmente, fazer com que uma mulher saiba que pode buscar ajuda e que não está sozinha”, destaca.
Debate contínuo
Para a coordenadora do CREAM, Tatiana Gavazza, discutir o tema é uma etapa necessária para que a violência possa ser identificada e enfrentada. “A violência precisa ser discutida para ser compreendida. Muitas vezes, a mulher, a família ou até quem está ao redor não identifica determinadas situações como violência. Por isso, o Agosto Lilás é tão importante: levamos informação para diferentes públicos e espaços, para fortalecer a prevenção, estimular a busca por ajuda e mostrar que ninguém precisa enfrentar essa situação sozinho” , afirma.
Em Itabira, o CREAM oferece atendimento especializado às mulheres em situação de violência e articula o acompanhamento com os demais serviços da rede de proteção, de acordo com cada caso.
Para denunciar situações de violência ou buscar orientação e atendimento, a população pode acionar a Central de Atendimento à Mulher pelo 180; o Disque 100; a Polícia Militar pelo 190; a Polícia Civil pelo 197; o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher pelo (31) 3839-2194; o CREAM Itabira pelo (31) 3839-2164; e o Chame a Frida, pelo WhatsApp (31) 9 9398-6100.
Assessoria de Comunicação
Prefeitura de Itabira