Senador diz que reunião ocorreu para encerrar discussões sobre o financiamento do filme Dark Horse; quando o caso veio à tona, parlamentar negou relação com o banqueiro
Pedro Nascimento e Aline Pessanha, Brasília/Itatiaia

Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) • Bruno Peres/Agência Brasil
O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, admitiu nesta terça-feira (19) que se reuniu com o banqueiro Daniel Vorcaro após a primeira prisão do dono do Banco Master, no fim de 2025.
Segundo Flávio, o encontro ocorreu para “colocar um ponto final” nas discussões sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do senador. O encontro foi relatado a parlamentares do PL durante uma reunião ocorrida na sede do partido, em Brasília.
Segundo o próprio Flávio, o encontro com Vorcaro ocorreu em São Paulo, depois que o banqueiro já estava usando uma tornozeleira eletrônica e, por conta disso, impedido de deixar sua residência
No dia seguinte em que ele foi preso, nesse momento é que nós vimos ali que deu uma virada de chave. Nós entendemos melhor que a situação era muito mais grave, e em função disso, eu trago aqui para vocês, eu falei lá dentro para os deputados, mas já vi que a imprensa já divulgou, eu estive com ele mais uma vez após esse evento, quando ele passou a usar o monitoramento eletrônico, ele não podia sair da cidade de São Paulo, e eu fui sim ao encontro dele para botar um ponto final nessa história— Flávio Bolsonaro
Se antes Flávio negava qualquer relação com o caso Master e Vorcaro, o senador diz agora que as conversas com o baqueiro teriam girado apenas em torno do financiamento do filme.
“Fui dizer que se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa, eu já teria ido atrás de outro investidor muito mais tempo e o filme não correria risco, então foi uma grande dificuldade nesse momento arrumar outros investidores que pudessem concluir esse filme”, disse.
Quando o caso foi revelado pela primeira vez, Flávio negou qualquer relação com Vorcaro e tentou descredibilizar a reportagem do Intercept. Horas depois, porém, após a divulgação dos áudios, o senador mudou de versão e admitiu que buscou financiamento privado para o filme.
Em um dos trechos divulgados, Flávio afirma:
“Fico sem graça de ficar te cobrando, mas é que está em um momento muito decisivo do filme”.
Em nota divulgada após a repercussão do caso, o parlamentar negou irregularidades e afirmou que o projeto buscava apenas “patrocínio privado para um filme privado”, sem uso de dinheiro público ou da Lei Rouanet.