“Paixão em Cena” vai apresentar a Via Sacra de Jesus no Circuito Liberdade, e tradição se mantém no interior do estado

Encenação reunirá 60 integrantes do Centro Artístico Cultural São João Batista (Cenarc), e integra o programa Minas Santa

imagem de destaqueLeo Fontes/Divulgação

A encenação “Paixão em Cena”, que revisitará a Via Sacra de Jesus, acontece pela primeira vez no Circuito Liberdade

Pela primeira vez, o público de Belo Horizonte poderá conferir nesta sexta-feira (20), a partir das 18h30, a encenação “Paixão em Cena”, que revisitará a Via Sacra de Jesus, percorrendo alguns dos equipamentos do Circuito Liberdade. A iniciativa é parte do projeto turístico Minas Santa e é realizada pelo Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult)Fundação Clóvis Salgado (FCS) e Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), com patrocínio da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), via Lei Estadual de Incentivo à Cultura.

Em 2023, a Semana Santa foi responsável por impulsionar o turismo e a economia da criatividade de maneira recorde. Em abril de 2023, após as celebrações religiosas, o estado registrou crescimento de 720% acima da média nacional, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Também no ano passado, Minas Gerais cresceu 130% acima da média brasileira. 

Esses resultados contribuem para que a segunda edição do programa turístico Minas Santa conte com 600 municípios e posicione o estado como o principal destino no país durante o período, gerando um fluxo de 400 mil turistas em Minas Gerais. 

“A Semana Santa é o grande momento de movimentação turística em Minas Gerais, é a maior celebração que temos aqui e um grande movimento do turismo interno em Minas. Esse fluxo do turismo da fé é muito importante para o estado. Todas as nossas ações na Semana Santa encontram a cultura, desde o patrimônio histórico até o artesanato. Nesse período, temos a união das artes: o teatro, a música, a dança, as artes plásticas, a escultura e a moda. Em Minas, há um universo imenso de manifestações e de uma variedade muito rica”, ressalta o secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas de Oliveira.

Com direção geral de Antony Diniz e direção artística de Magdalena Rodrigues, a encenação da Paixão de Cristo terá apresentação pública, totalmente gratuita – presencial e com transmissão para todo estado, pela Rede Minas de Televisão e TV Horizonte. O espetáculo terá a participação de um elenco de aproximadamente 60 pessoas do Centro Artístico Cultural São João Batista (Cenarc), localizado no bairro Salgado Filho, proponente do projeto, incluindo alguns profissionais que já atuam em encenações populares.

A encenação terá início em frente ao prédio do Iepha. Depois, segue em cortejo pela alameda da Praça da Liberdade, passa pelo Palácio da Liberdade e termina na Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem. O evento será concluído com o sermão do descendimento pelo Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor de Oliveira Azevedo, e a procissão do enterro.

Até chegar à estreia de “Paixão em Cena”, houve uma etapa de preparo que contou com a parceria do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de Minas Gerais (Sated/MG). Foram realizadas cinco oficinas de educação e expressão corporal, as quais foram gravadas e poderão ser disponibilizadas para os municípios mineiros. O objetivo é levar informação e conhecimento aos grupos, que como o Cenarc, promovem esse trabalho de maneira autônoma e, a partir desses encontros, podem aprimorar o seu ofício.

“Eles têm a oportunidade de ter uma iniciação com profissionais de todos os itens da cadeia produtiva, do que significa uma pré-produção, uma produção, uma desprodução de qualquer evento artístico cultural. Isso é importantíssimo e esperamos que a gente possa espalhar isso pelo estado inteiro”, sublinha Magdalena Rodrigues, atriz e presidente do Sated/MG.

Ela observa que é muito comum grupos serem criados ou carreiras serem definidas a partir da participação, em peças que abordam a Paixão de Cristo no interior do estado. “Quase todos os currículos enviados para registro profissional vindos do interior, quase na sua totalidade, verificamos que as pessoas começam a partir de esforços de encenação da Paixão de Cristo. As pessoas dão os primeiros passos dessa forma e seguem, tomam um gosto, e se organizam para seguirem fazendo outras apresentações”, completa.

O diretor criativo e artístico do Cenarc, Antony Diniz, ressalta que as oficinas trouxeram novo estímulo para o grupo. “O processo foi novidade para o Cenarc e para mim. Eu acho que reviveu o grupo, que em curto espaço de tempo conseguiu ensaiar, e vamos nesta sexta-feira mostrar nosso trabalho e emocionar as pessoas, também com elementos novos. Nos preparamos com muito carinho para essa via sacra”, relata Diniz.  

Interior
Simultaneamente, em diversas cidades do interior, como Congonhas, Tiradentes e Ouro Preteo, será encenada também a Paixão de Cristo. Cada apresentação tem características e cenários próprios. Em Congonhas, por exemplo, a tradição é mantida desde a década de 1960. Há 20 anos, quem promove a encenação na cidade é o grupo de teatro Dez Pras Oito, que, em 2022, teve o ator Amaury Lorenzo, nascido em Congonhas, no elenco, interpretando Jesus Cristo, e está confirmado para retomar o papel neste ano. 

“O Amaury Lorenzo já participava da Semana Santa quando criança. Depois, foi nosso aluno na escola de teatro e seguiu para o Rio de Janeiro”, recorda José Felix Junqueira, um dos organizadores da encenação em Congonhas. Ele pontua que esse trabalho atrai em média 10 mil pessoas, incluindo turistas de outros estados e visitantes de Minas Gerais. 

“E mobiliza a cidade inteira, porque o cidadão congonhense gosta muito desse evento. Há o lado cultural mas também devocional. Isso é muito interessante porque dá uma autenticidade e uma veracidade a tudo isso que fazemos”, completa Junqueira. 

Em Tiradentes, as ruas do centro da cidade também são tomadas por moradores e visitantes que acompanham o cortejo da encenação que acontece na Sexta-Feira Santa há 14 anos. “Mesmo as pessoas que estão nos bares ou restaurantes começam a ver o movimento no Largo das Forras e começam a se locomover para ver o que está acontecendo. Então, de repente, tem uma multidão de pessoas caminhando junto com o cortejo, fotografando e vivenciando aquela experiência”, comenta Evandro Guilherme, um dos realizadores da apresentação. 

Ele destaca a importância desse momento para os visitantes e para a população local. “A encenação da Via Sacra promove uma inclusão muito grande. Todos os artistas são locais, da própria comunidade e atuam de forma voluntária. E o mais interessante é que a adesão foi crescendo ao longo do tempo. O grupo começou com dez pessoas e hoje temos 46 participantes”, ressalta Guilherme. 

Agência Minas

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