
Crônica da semana: Recordar é preciso para manter a história
Escrito: Nivaldo Barbosa – www.futebolitabirano.com.br
Antes havia uma época em que o futebol amador de Itabira era mais do que um campeonato. Era o ponto de encontro dos bairros, o orgulho das famílias e a paixão que atravessava gerações. Todo domingo tinha um campo cheio, crianças correndo na beira do gramado e dentro do terrão durante o intervalo. Torcedores defendendo as cores do seu clube como se estivessem em uma final de Copa do Mundo. Não importava se fosse na cascuda ou no principal, a sensação era a mesma.
Mas o tempo passou. Muitos daqueles escudos que marcaram época ficaram apenas na memória. Clubes como Ferroviária, Azulão, Aymores, Internacional, Industrial, Sete de Setembro, Guarani,e tantos outros deixaram de desfilar pelos gramados, levando consigo histórias que jamais serão apagadas. Alguns foram campeões, outros viveram grandes campanhas, mas todos ajudaram a construir a rica história do futebol itabirano.
O silêncio que hoje toma conta de alguns antigos campos, contrasta com o barulho das arquibancadas de ontem. Ainda parece possível ouvir o apito inicial, o grito de gol e a comemoração de torcedores que faziam do futebol um motivo para sorrir aos domingos.
Os clubes podem até ter encerrado suas atividades, mas nunca desaparecerão da memória de quem viveu aquela época. Cada camisa, cada fotografia amarelada, cada troféu guardado e cada história contada nas rodas de conversa mantêm esses times vivos.
O futebol de Itabira tem o dever de preservar esse legado. Afinal, os clubes que hoje escrevem a história caminham sobre o caminho aberto por aqueles que vieram antes. E enquanto houver alguém para lembrar de um clássico, de um gol decisivo ou de um domingo inesquecível da época, esses times jamais serão esquecidos.
Porque um clube pode deixar de entrar em campo, mas nunca deixa de existir no coração de quem aprendeu a amá-lo.