Justiça atende pedido do MPMG e determina medidas urgentes contra a Sigma Mineração, no Vale do Jequitinhonha

Mineradora deve suspender imediatamente, das 22h às 6h, atividades que geram ruído até comprovação de que os níveis do barulho estão dentro dos limites permitidos por lei

A Justiça de Minas Gerais determinou, neste domingo, 17 de maio, uma série de medidas imediatas contra a empresa Sigma Mineração S.A., responsável pelo empreendimento “Grota do Cirilo”, nos municípios de Araçuaí e Itinga, no Vale do Jequitinhonha.  

A decisão atende a pedidos do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) feitos em Ação Civil Pública, que aponta graves danos socioambientais à população da região. Na semana passada, em audiência pública realizada em Araçuaí com a participação do MPMG, moradores das comunidades de Piauí Poço Dantas, Ponte do Piauí e Santa Luzia denunciaram impactos causados pela mineração, como poeira, ruídos, tremores, rachaduras em casas e problemas de saúde.   

Na decisão, a Justiça reconheceu a existência de indícios consistentes de violação de direitos fundamentais, como saúde, moradia e liberdade de locomoção. Destacou ainda que os dados apresentados, inclusive da própria mineradora, apontam níveis de poluição acima dos limites legais e impactos diretos na qualidade de vida das comunidades locais.  

Medidas 

Uma das medidas determinada pela Justiça foi a suspensão imediata das atividades que geram ruído no período noturno, das 22h às 6h, até comprovação de que os níveis estão dentro dos limites legais, além da limitação das explosões a horários fixos, com aviso prévio mínimo às comunidades.  

A mineradora deverá custear, em até 60 dias, a contratação de auditoria técnica independente para avaliar os impactos de poeira, ruídos e vibrações e propor medidas de controle. Em 30 dias, terá de elaborar e implementar um programa de reassentamento opcional para as famílias das comunidades afetadas que desejarem deixar a área, garantindo condições de vida iguais ou melhores. No mesmo prazo de 30 dias, deverá assegurar acesso viário definitivo para quatro famílias que vivem isoladas, com via pública segura e independente das operações da empresa.  

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Além disso, a empresa deverá custear integralmente a contratação de assessoria técnica independente, escolhida pelas comunidades com coordenação do Ministério Público, para acompanhar o caso e apoiar os moradores.  

A decisão também obriga a empresa a financiar ações de saúde pública voltadas ao diagnóstico, monitoramento e tratamento dos moradores, em parceria com os municípios. A mineradora terá de depositar R$ 50 milhões em juízo como garantia para o cumprimento das obrigações e eventual reparação de danos, sob pena de multa de R$ 500 mil por dia em caso de descumprimento das medidas.  

Atuação do MPMG 

O MPMG reuniu provas técnicas e relatos de moradores que indicam impactos como poluição do ar, excesso de ruído, vibrações de detonações e isolamento de famílias. O Ministério Público conduziu a apuração por meio de inquérito civil e articulou a participação das comunidades, garantindo que suas demandas fossem levadas ao Judiciário.  

Além disso, o MPMG terá papel central na escolha de instituições para auditoria e na coordenação da assessoria técnica independente, assegurando a participação informada dos atingidos. 

A Justiça ainda acolheu o pedido do MP para inversão do ônus da prova, o que obriga a empresa a demonstrar que suas atividades não causam os danos. 

Próximos passos 

O processo segue em andamento, e a decisão é liminar, ou seja, pode ser revista ao longo da ação. As medidas impostas têm caráter imediato e buscam reduzir riscos à saúde e à segurança das comunidades afetadas no Vale do Jequitinhonha. 

Ministério Público de Minas Gerais

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