Algumas diferenças no corpo e nos hormônios ajudam a entender por que os efeitos do álcool costumam aparecer antes nas mulheres Karol Oliveira/Metrópoles
Já é um consenso para a ciência que o organismo feminino reage ao álcool de forma diferente do masculino — mesmo quando homens e mulheres consomem a mesma quantidade de bebida.
A explicação para isso vem das diferenças biológicas entre os sexos: características do corpo feminino, como a composição corporal, o funcionamento do metabolismo e até as variações hormonais influenciam a forma como a bebida é absorvida e processada pelo organismo.
Um dos fatores mais importantes para mulheres sentirem mais os efeitos das bebidas do que os homens está na composição corporal de cada um. A substância se dissolve principalmente na água presente no corpo e pelo fato das mulheres terem menos água corporal e mais gordura, a bebida fica mais concentrada no sangue.
Na prática, isso significa que:
A bebida tem menos espaço para se diluir;
A concentração da substância no organismo tende a ficar maior;
Os efeitos aparecem de forma mais rápida.
Além disso, as mulheres geralmente têm corpos menores, o que também contribui para que a mesma quantidade de bebida provoque reações mais intensas.
Diferença no metabolismo
Outro ponto está no processo de metabolização da bebida. No estômago existe uma enzima responsável por iniciar a quebra do álcool antes que ele seja absorvido pelo corpo.
Nas mulheres, a quantidade dessa enzima costuma ser menor. Como resultado, uma parcela maior do álcool chega à corrente sanguínea sem ser degradada. Isso faz com que o organismo feminino absorva mais álcool a cada dose.
Fases do ciclo menstrual
As mudanças hormonais durante o ciclo menstrual também podem influenciar a forma como o organismo reage às bebidas. Em alguns momentos do mês, principalmente perto da ovulação, o corpo pode ficar mais sensível aos efeitos da bebida.
Isso acontece porque hormônios como o estrogênio e a progesterona variam durante o ciclo. Essas alterações podem reduzir a tolerância à bebida, fazendo com que quantidades pequenas já provoquem sintomas como tontura ou sensação de embriaguez mais rapidamente.
Além disso, as variações hormonais dessa fase podem aumentar a vontade por certos alimentos ou bebidas, inclusive alcoólicas. Mesmo assim, essa sensibilidade não é igual para todas as mulheres e pode variar bastante de uma pessoa para outra.
“Em geral, o álcool pode alterar o ciclo menstrual, o fluxo e até piorar a TPM”, afirma a endocrinologista Ana Paula Barreto, do Hospital Mantevida, em Brasília.
A OMS reforça que nenhuma dose de álcool é segura para o corpo humano
Por que mulheres sentem mais o efeito da bebida?
Menor quantidade de água no corpo.
Maior proporção de gordura corporal.
Menor quantidade de enzimas que quebram a bebida.
Corpo geralmente menor.
Variações hormonais ao longo do ciclo menstrual.
Bebidas, anticoncepcionais e saúde do fígado
O fígado é o órgão responsável por metabolizar o álcool e outras substâncias no organismo, além de também participar do processamento de medicamentos, entre eles os anticoncepcionais hormonais.
Nesse contexto, é importante lembrar que o consumo frequente ou excessivo de bebida alcoólica pode sobrecarregar o fígado, já que o órgão precisa lidar com substâncias diferentes ao mesmo tempo.
Além disso, episódios de mal-estar ou vômitos depois de beber também podem prejudicar a absorção da pílula anticoncepcional.
“É importante lembrar que os anticoncepcionais são metabolizados no fígado, assim como o álcool. Por isso, quando as duas substâncias são processadas ao mesmo tempo, o órgão pode ficar sobrecarregado. Outro ponto é que o acúmulo de gordura no fígado, conhecido como esteatose hepática, tem se tornado cada vez mais comum e deve ser uma das principais causas de cirrose nos próximos anos”, explica a endocrinologista Andressa Heimbecher, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP).