Após atuação do MPMG, integrante de organizada é condenado a 67 anos de prisão por morte de torcedor atleticano em emboscada em Belo Horizonte

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Belo Horizonte, obteve nesta quarta-feira, 12 de agosto, a condenação de um integrante da torcida organizada Máfia Azul, de 31 anos, pelo homicídio triplamente qualificado de um torcedor atleticano de 20 anos durante uma emboscada armada contra um ônibus do transporte coletivo, em novembro de 2021, no bairro Novo das Indústrias, na região do Barreiro, na capital mineira. O réu também foi condenado por uma tentativa de homicídio triplamente qualificada e outras cinco tentativas de homicídio duplamente qualificadas, totalizando uma pena final de 67 anos de prisão em regime inicial fechado.

O réu respondia pelo crime em liberdade e, como não compareceu ao julgamento, a juíza determinou que fosse expedido o mandado de prisão contra ele.

No dia 29 de julho deste ano, o MPMG já havia obtido a condenação de outros três envolvidos no ataque ao ônibus. As penas foram fixadas em um total entre 20 e 48 anos de prisão. O ônibus atacado transportava torcedores da Galoucura, torcida organizada do Atlético Mineiro que voltava de um jogo no Mineirão, e também passageiros comuns.

A Emboscada

De acordo com a denúncia da Promotoria de Justiça, no dia do crime, os réus armaram uma emboscada para membros de uma torcida organizada rival após o Atlético Mineiro vencer uma partida contra o Fluminense no Estádio Mineirão. Eles sabiam que as vítimas voltavam em direção ao Barreiro na linha de ônibus 6350 (Vilarinho/Barreiro) e chegaram a convocar outros comparsas não identificados.

Para realizar o ataque, os acusados seguiram em um veículo com a intenção de interceptar o ônibus para que os demais integrantes da torcida chegassem logo em seguida. Após a abordagem ao coletivo, os agressores começaram a gritar que os rivais iriam morrer e, munidos de pedras, bolas de sinuca, barras de ferro e pedaços de pau, deram início ao ataque.

A denúncia narra que as vítimas tentaram negociar a saída de idosos, crianças e pessoas que sequer haviam ido à partida de futebol, mas os réus negaram a liberação e afirmaram que todos iriam morrer. Passageiros que tentavam escapar pelas janelas foram agredidos. Esse foi o caso do jovem de 20 anos que, embora não estivesse uniformizado com camisa de time nem de torcida organizada, acabou severamente agredido no local. Ele chegou a ser levado para atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos.

Após o ataque, os agressores se dispersaram, mas a Polícia Militar conseguiu prender os réus. Com eles, no interior do veículo utilizado para a abordagem, foram apreendidos três bastões de madeira, cinco artefatos explosivos de fabricação caseira, um soco inglês e fogos de artifício.

Processo nº: 2306716-89.2021.8.13.0024

Ministério Público de Minas Gerais

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