Deputado do PL e relator da CPMI do INSS foi anunciado no último dia das convenções e surpreendeu aliados da campanha
Kevin Lima, Carinne Souza/Metrópoles

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) escolheu o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para ser seu candidato a vice na disputa pela Presidência da República. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (5/8), no último dia do prazo para a realização das convenções partidárias.
Veja o momento do anúncio:
A escolha encerra semanas de indefinição sobre a composição da chapa e surpreende integrantes do próprio PL, já que Alfredo Gaspar não figurava entre os nomes mais cotados para ocupar a vaga. A decisão foi tomada após o partido não conseguir atrair legendas do Centrão para ampliar a coligação.
Ao anunciar o nome, Flávio afirmou que pesou a favor de Gaspar a sua experiência com a segurança pública e a representatividade do Nordeste, região do país em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com folga.
O candidato do PL à Presidência também destacou a atuação de Alfredo Gaspar na CPMI do INSS, colegiado em que relatou os trabalhos, e sugeriu, no relatório final, o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho de Lula, por suposto envolvimento com as fraudes na Previdência.
Puro-sangue
A estratégia inicial do PL era utilizar a vaga de vice como principal instrumento para atrair partidos de centro e ampliar o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. A expectativa era apresentar a chapa completa durante a convenção nacional que oficializou a candidatura de Flávio, em 25 de julho, mas as negociações se estenderam até o último dia e terminaram sem acordo.
Nos últimos dias, o partido tentou fechar aliança com Republicanos, Podemos e a federação União Progressista, composta por União Brasil e PP. As conversas, porém, não avançaram. As legendas decidiram não declarar apoio formal a nenhum candidato ao Palácio do Planalto, o que levou o PL a optar por chapa com por integrantes da própria sigla, a chamada chapa “puro-sangue”.
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O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, disse que a escolha do parlamentar, que originalmente seria candidato ao Senado por Alagoas, já havia sido feita pela campanha há meses.
“O Flávio e o Rogério Marinho [coordenador da campanha] já tinham escolhido o Alfredo há seis meses. Não sei como não vazou isso aí. Não tem um vice melhor para nós do que o Alfredo Gaspar”, afirmou.
Aceno a Bolsonaro
Ao discursar, Alfredo Gaspar disse que a indicação é uma “grande honra”. “Vossa Excelência [Flávio Bolsonaro] escolheu uma pessoa nordestina, mas honrada. Ao seu lado marcharei para transformar o Brasil em um lugar justo”, declarou.
Gaspar também mencionou o ex-presidente Jair Bolsonaro, que, segundo ele, está em “cativeiro”. Bolsonaro cumpre pena de 27 anos 3 meses em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.
O parlamentar também citou outros nomes que vinham sendo cogitados para integrar a chapa de Flávio, como a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos). Segundo Alfredo Gaspar, o Brasil “estaria muito melhor servido” com elas.
“Mas quis o destino um soldado do Nordeste. Terei lealdade e gratidão. Terei a coragem de enfrentarmos juntos a corrupção, o crime organizado, essa economia em frangalhos”, disse.
Ao longo das negociações, Flávio chegou a cogitar nomes de outros partidos para ocupar a vice. A ex-presidente da Caixa era a favorita do senador para a vaga. A senadora Tereza Cristina também recebeu convite para integrar a chapa, mas a direção nacional do PP rejeitou a possibilidade de composição.


Nas convenções partidárias, as principais legendas associadas ao Centrão oficializaram ou mantiveram a neutralidade na disputa pela Presidência da República. Veja como os partidos se movimentaram:
- União Brasil e Progressistas (PP): unificados na Federação União Progressista, os dois partidos liberaram seus diretórios e candidatos nos estados para apoiar o candidato à Presidência que melhor convier às suas alianças regionais.
- Republicanos: anunciou formalmente em sua convenção nacional que não lançará candidato próprio, não indicará vice e adotará postura neutra no plano nacional.
- Podemos: também optou pela neutralidade e pela liberação de seus quadros estaduais, sem formalizar apoio no primeiro turno.
- MDB: mantém a diretriz de não fechar coligação nacional no primeiro turno, deixando o apoio livre aos seus governadores e bancadas.
- Federação PSDB/Cidadania: segue posicionamento neutro sem integrar formalmente coligações de cabeça de chapa no âmbito nacional.
Com o avanço da possibilidade de chapa formada apenas por filiados do PL, passaram a ser discutidos nomes da própria legenda. Entre os cotados, estavam o senador Rogério Marinho (PL-RN) e as deputadas federais Bia Kicis (PL-DF), Júlia Zanatta (PL-SC) e Priscila Costa (PL-CE).
A demora na definição levou o partido a estudar a possibilidade de manter a vaga de vice em aberto mesmo após o encerramento das convenções. Nos bastidores, dirigentes chegaram a cogitar delegar à executiva nacional a decisão e concluir a composição da chapa até 15 de agosto, prazo final para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral.
Flávio planejava inicialmente escolher uma mulher para ocupar a vaga de vice, em uma tentativa de ampliar o diálogo com o eleitorado feminino, considerado um dos principais desafios da campanha. A estratégia, porém, foi abandonada na reta final das negociações diante da dificuldade para formar alianças e fechar a composição da chapa.
A possibilidade de adiar a definição foi discutida enquanto o PL mantinha conversas com outras legendas. Como os acordos não prosperaram, Flávio decidiu anunciar Alfredo Gaspar como companheiro de chapa no último dia das convenções partidárias.
Quem é o candidato a vice
Alfredo Gaspar, de 55 anos, é deputado federal por Alagoas e ex-promotor de Justiça. Também foi procurador-geral de Justiça de Alagoas e ex-secretário estadual de Segurança Pública. Ele foi eleito deputado federal em 2022 pelo União Brasil e, posteriormente, se filiou ao PL.
Na Câmara, ganhou projeção ao atuar como relator da CPMI que investigou fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), trabalho que o colocou como uma das principais vozes da oposição ao governo Lula e ampliou sua visibilidade dentro da bancada bolsonarista. Ele havia se lançado como candidato ao Senado por Alagoas na noite desta terça (4/8).
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