Levantamento da Axenya também mostra que 62,7% dos profissionais dormem menos de seis horas e 12,2% têm sinais de depressão moderada ou grave

São Paulo, 17 de abril de 2026 – Uma avaliação clínica realizada com mais de mil profissionais de 38 empresas brasileiras revelou que 51,6% dos trabalhadores diagnosticados com ansiedade não estão recebendo nenhum tipo de tratamento. O dado foi produzido pela Axenya a partir da aplicação do PHQ-9, instrumento de rastreio validado internacionalmente e utilizado por psiquiatras em consultório. Os dados foram apresentados em conjunto com um levantamento de consumo de medicamentos para saúde mental realizado pela Vidalink com 91 mil beneficiários, o resultado expõe uma contradição que as empresas raramente conseguem ver: saber do problema não está se traduzindo em cuidado.
O PHQ-9 é um instrumento de rastreio (screening) de alta qualidade de depressão e ansiedade. Ao contrário das pesquisas de clima e engajamento que dominam o mercado de RH, ele captura sintomas com precisão clínica — e o que os dados da Axenya mostram difere substancialmente do que as empresas costumam enxergar. A avaliação pode ser considerada relevante para rastreio populacional no ambiente corporativo.
Pelos dados da empresa, 12,2% dos profissionais avaliados apresentam sinais de depressão moderada ou acima, e 62,7% dormem seis horas ou menos por noite. No total, um em cada três colaboradores apresenta algum sinal clínico relevante.
Do ponto de vista clínico, rastreamento só faz sentido quando há tratamento eficaz disponível para a condição detectada. É um princípio básico da medicina: o objetivo final não é identificar o problema — é alterar o curso da doença e melhorar a qualidade de vida de quem foi rastreado. O que os dados mostram é que metade das pessoas identificadas com ansiedade não chegou a essa segunda etapa. O rastreamento foi feito. O cuidado, não, afirma Dra. Aline Pasiani, Diretora Médica da Axenya.
Emoções negativas crescem entre as mulheres
O levantamento da Vidalink sobre consumo de medicamentos reforça o paradoxo. Enquanto a Axenya promove o rastreio, a Vidalink rastreia o que acontece depois: em um único ano, os 91 mil beneficiários analisados adquiriram antidepressivos ou ansiolíticos, movimentando R$ 31 milhões. O volume expressa o quanto o problema já chegou ao sistema de saúde, mas não necessariamente ao cuidado contínuo: metade dos diagnosticados com ansiedade permanece sem qualquer acompanhamento terapêutico. O medicamento chega. O tratamento, não.
Entre os grupos analisados, a Geração Z concentra os dados mais preocupantes. O Check-up de Bem-Estar 2025, feito com 11.600 profissionais de 250 empresas brasileiras, aponta que quanto mais jovem o trabalhador, pior é sua percepção de bem-estar e menor é a adesão a qualquer prática de autocuidado. 30% dos jovens da Geração Z se declaram insatisfeitos com seu nível de bem-estar — o maior índice entre todas as gerações.
A distância entre diagnóstico e comportamento é especialmente acentuada nessa faixa etária. Entre as mulheres jovens, 39% afirmam não fazer absolutamente nada pela própria saúde mental, índice que cai para 14% entre as Baby Boomers. O exercício físico, por exemplo, é adotado como prática de cuidado por 46% dos homens da geração mais velha, mas por apenas 34% dos jovens. E, no consumo de medicamentos, a Geração Z é a única faixa etária com crescimento registrado: entre jovens mulheres, a alta foi de +9% no último ano.
O levantamento revela que 1 em cada 4 colaboradores acumula dois ou mais fatores de risco simultâneos, um dado que pesquisas de opinião simplesmente não conseguem captar. O levantamento da Vidalink mostrou que o volume de medicamentos cresce, mas o acesso ao tratamento não acompanha.
“Quando a empresa pergunta como o colaborador está, recebe uma resposta social. Quando mede, o cenário muda completamente. O que estamos entregando não é uma percepção — é um dado”, finaliza Dra. Aline.