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Boa noite - Itabira, sexta, 19 de julho de 2019 Hora: 22:07

ASSUNTOS GERAIS
O governo Bolsonaro é uma oligarquia fundamentalista
15/04/2019

Fernando Silva

Ainda no período eleitoral, o candidato Jair Messias Bolsonaro concedeu entrevista a uma emissora de rádio do interior de São Paulo (rádio Jornal, de Barretos). Na oportunidade, o capitão reformado foi incisivo: “eu pretendo voltar o Brasil cinquenta anos no tempo”. Ele fazia referência a costumes.

A declaração é bastante reveladora dos dias de hoje. O presidente, porém, cometeu um erro cronológico. O mandatário manipula os ponteiros do relógio da história de uma forma atabalhoada. Agora, no poder, Jair pode até retroceder o país em oito décadas.

Faremos um mergulho no túnel do tempo e chegaremos à primeira metade do século passado. Os estudiosos batizaram a era por “República Oligárquica do Café com Leite”. Naquela ocasião, os eleitores tinham cabrestos e a votação era naturalmente fraudulenta. Mulheres não podiam nem passar perto das seções eleitorais. Paulistas e mineiros revezavam na presidência da República.

Parte da letra do samba “Feitiço da Vila”, do imortal Noel Rosa, mostra uma fotografia do período: “São Paulo dá café, Minas dá leite e a Vila Izabel dá samba”. República do Café com Leite. Nessa paisagem rude e atrasada, uma elite agrária dirigia os rumos da nação.

Hoje, o símbolo da “nova política”- com uma cara já bastante enrugada - é o poderio das bancadas parlamentares dos três B(s): boi, bala e bíblia. Nada mais exótico e típico de bananais da periferia do planeta. Um sistema tão demodê quanto caricato.

Nos anos 1930, os interesses particulares suplantavam os direitos da coletividade. O privado prevalecia sobre o público. Os grupos econômicos hegemônicos davam as cartas nas mesas dos governantes. A maioria da população vivia em precárias condições. A saúde era para poucos e educação para menos ainda.

Nos dias de hoje, a dinâmica de funcionamento do estado está bem configurada. O bolsonarismo dividiu o poder em quatro vertentes: militares de pijamas, tecnocratas despirocados, ministros patéticos e filhinhos do papai. Os três pupilos do presidente têm domínio quase total sobre o paizão. Nada mais oligárquico e ultrapassado.

E assim “la nave va”. Os milicos tentam botar ordem na zona, técnicos discutem sexo dos anjos e dois patetas divertem a plateia (Damares Alves e Ernesto Araújo). Ricardo Vélez acaba de deixar o picadeiro.

O governo Bolsonaro, de tão bizarro, inventou uma nova versão de Rasputin czarista: Olavo de Carvalho, astrólogo metido a filósofo, o bruxo da Virgínia. O guru da família presidencial é intocável. Assim como era o mentor espiritual dos Romanov, na Rússia. O Rasputin dos trópicos dá pitacos nas coisas do governo, nomeia ministros e ainda detona aliados e adversários com virulenta intensidade. É uma figura tosca, de grosso trato.

No fundamentalismo, o estado deixa de ser laico. E, por essas bandas, essa opção ficou clara com o mantra da campanha eleitoral: “O Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. Nesse cenário, a constituição é um livro sagrado. Nos países islâmicos, por exemplo, o Alcorão é a bússola de um bando de ditadores. E aí, em nome de um suposto deus, cometem-se as maiores atrocidades.

Na gestão do “mito”, os evangélicos conquistaram vez e voz. Antes de entrar no governo, um “ministeriável” necessita passar pelo crivo desses “príncipes” da corte celestial. E esses representantes do “padre eterno” até já exigiram a mudança da embaixada brasileira, em Israel, de Tel Aviv para Jerusalém. E arrumaram uma encrenca dos diabos com o mundo árabe. Coisas de míopes fanáticos.

E Deus anda bastante banalizado nos dias atuais. Bolsonaro é muito teórico e pouco pragmático no seu relacionamento com o “todo poderoso”. Dois exemplos de incoerência cristã em atitudes do atual habitante do Palácio da Alvorada. Adversário do petismo, o então deputado Jair Bolsonaro queria defenestrar Dilma Rousseff a qualquer custo. E declarou, no auge do inferno astral da petista: “Espero que Dilma saia (do Palácio do Planalto). Infartada, com câncer, de qualquer jeito”, disparou o seguidor dos ensinamentos de Jesus.

Em outra ocasião, durante uma entrevista, o Messias mandou o seguinte recado para a deputada Maria do Rosário, também do PT: “Ela não merece (ser estuprada) porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria. Eu não sou estuprador, mas, se fosse, não iria estuprar, porque não merece”. Foi aplaudido com entusiasmo pelos piromaníacos das redes sociais.

É tempo de “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. Convém ficar atento a todos, que tudo fazem e falam em nome de Deus.

PS: A palavra de ordem da ultradireita, na Alemanha nazista, era: “Alemanha acima de tudo”. Talvez seja uma simples coincidência. Melhor se for apenas falta de inspiração ou preguiça mental do “mito” e sua turma.








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