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Bom dia - Itabira, segunda, 17 de junho de 2019 Hora: 08:06

ASSUNTOS GERAIS
A Vale dissemina paranoia no seio da população: Fiquem todos atentos ao uivo da morte
08/04/2019

Os depósitos de rejeitos das empresas de exploração de minérios não têm utilidade nenhuma para as cidades mineradoras. Pelo contrário. Essas horrorosas estruturas só prestam para degradar e enfear o meio ambiente. Aqueles amarelados brejos não passam de fedorentos criadouros de pernilongos. Os moradores das proximidades dos lamentáveis “pântanos” acordam com os corpos cheios das estigmatizantes marcas de picadas do irritante inseto.

Até aí, tudo bem. Ou menos mal. As monstruosas barragens permaneciam escornadas eternamente em berço esplêndido. Ninguém mexia com elas. E esses lamaçais nojentos jamais buliam com alguém. Mas as “pinoias” escondiam um terrível potencial de destruição. O eterno imobilismo era apenas aparente.

A dissimulação trágica só veio à tona no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana. A trama mortal atende pelo nome “rompimento”. E, súbito, a barragem da Samarco se rompeu com violência inaudita. Então, um imenso mar de lama levou dezenas de desapercebidas almas. Também foram embora sonhos e conquistas de uma vida inteira. E, de lambuja, o detrito ainda emporcalhou as águas do Rio Doce.

As barragens são solidárias na desgraça. Tanto que, quatro anos depois, Brumadinho fez companhia a Bento Rodrigues. A contenção de rejeitos da mina de Feijão deixou vazar 12,7 milhões de metros cúbicos de lama. A mais recente tragédia superou em muito o apocalipse da Samarco, em perdas humanas. Já foram confirmadas 217 mortes. Muita gente continua desaparecida. A dissilábica Vale é a principal responsável por essa usina de cadáveres.

Mas pânico pouco é bobagem, não é mesmo? Agora entrou em cena o mais novo protagonista desse filme macabro: o uivo da morte, ou o canto das sirenes. E assim findou de vez a paz de comunidades das imediações das minas.

A Vale está acuada. A empresa sofre uma forte pressão da Justiça, Ministério Público, mídia e opinião pública. Leva pau de todas as formas e estilos. A direção da multinacional não estava preparada para lidar com esse tipo de crise extra- corporativa. Os executivos da antiga estatal dão um show de desorientação. A ordem é mostrar serviço para a sociedade a qualquer custo. Jogar para a galera é o mais importante.

E tomem improvisos e bandeiradas múltiplas.

Nessas circunstâncias, a “gentalha” paga o pato. Afinal, o povo parece ser o grande responsável pela incompetência técnica da mineradora. Há uma flagrante inversão de valores nessa história toda. O dia a dia dos habitantes dos municípios de influência da Vale se transformou no mais quente dos infernos.

Os constrangedores treinamentos de evacuação de áreas de riscos são genuínos carmas para homens, mulheres, crianças e animais. Nada escapa da desagradável importunação. Basta ouvir o uivo da morte para todos saírem em desabalada carreira. Os bens materiais ficam para trás. E as sirenes, até então inexplicavelmente silenciosas, já não têm hora marcada para emitir o berro tétrico. A quizumba acontece no momento do almoço ou em plena madrugada, de preferência. O som é um péssimo presságio. Acabou a tranquilidade.

A morte deixou de ser exceção. A presença da “dama de negro” é uma mera regra. Essa personagem fúnebre pode surgir dentro de instantes. A iminência do ponto final provoca pânico generalizado.

Por meio da simulação sinistra, a Vale deixa nas entrelinhas o seguinte recado para o “povaréu”: “Eu estou fazendo a minha parte, pois treino você para uma morte digna. Um dia, essa barragem vai estourar. E, caso você não consiga escapar, problema seu. Eu tenho patrocinado um midiático treinamento, mas a sua obrigação é fazer um excelente dever de casa. Então, se você morrer, a culpa é sua e de Deus”.

VALE a pena analisar a fictícia mensagem da produtora de paranoias coletivas. E que todos fiquem atentos ao uivo da morte. Ele vai soar- a qualquer momento- nas próximas 24 horas. Ponto final.

Fernando Silva








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