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Bom dia - Itabira, quarta, 22 de maio de 2019 Hora: 09:05

ASSUNTOS GERAIS
As instituições brasileiras são movidas a lama, sangue e fogo
24/02/2019

Há seis anos a “boate Kiss” pegou fogo. A cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul, foi palco de uma tragédia absurda. Numa madrugada de janeiro, 242 jovens receberam o beijo da morte. O número de feridos passou de seis centenas.

A estrutura do local era péssima. E, para complicar, protocolos básicos de segurança não funcionaram na hora H. O drama teve repercussão internacional e ganhou manchetes nos principais órgãos de imprensa do mundo. A imagem do Brasil ficou muito chamuscada no exterior.

A consequência dessa calamidade foi imediata. Num piscar de olhos, as entidades fiscalizadoras governamentais entraram em ação. Em pouco tempo, inúmeras casas noturnas foram lacradas em todo o território nacional. As autoridades descobriram que havia um punhado de “boates Kiss”, país afora, prontas para virar fogueiras. Milhares de baladeiros corriam o risco de serem literalmente assados.

Era uma vez 5 de novembro de 2015. A tarde estava tranquila em Bento Rodrigues, a 35 km da cidade histórica de Mariana. Cerca de 200 famílias moravam ali. A costumeira monotonia tomava conta do lugarejo. De repente, por volta das 17 horas, a barragem de rejeitos de Fundão vazou com extrema intensidade. A sirene de emergência não deu o alarme de perigo para os trabalhadores da Samarco e habitantes das imediações. Em segundos, um colossal mar com 40 milhões de metros cúbicos de lama destruiu completamente o pequeno povoado e áreas da empresa. Um total de 19 pessoas perdeu a vida.

Com poucas horas, o lamaçal tingiu de vermelho as águas do Rio Doce. A poluição cor de sangue afetou seriamente o ecossistema de 230 municípios de Minas Gerais e Espírito Santo. A situação provocou caos no abastecimento de água e incalculável prejuízo para a cultura pesqueira. Esse quadro desolador ilustra o maior desastre ambiental da história da América do Sul. O rompimento da barragem enlameou ainda mais a reputação dessa “Terra de Santa Cruz” no cenário internacional.

Nos dias seguintes, uma agitação oficial tomou conta da região da catástrofe. Ministério Público, Justiça, governos (federal e estadual) , órgãos ambientais e políticos bateram cabeças em meio a um panorama estarrecedor. A cada minuto, um aparício se apresentava na frente dos holofotes. Especialistas e leigos divagavam sobre as causas do “acidente”. Havia chutes para todos os gostos.

Foi muita balbúrdia para nenhum resultado prático. O desastre completou quatro anos e o tormento das vítimas continua. Os sobreviventes de Bento Rodrigues até agora não foram indenizados. Muitos continuam morando em hotéis ou de favor em residências de parentes. A construção das prometidas novas moradias continua com a celeridade de uma lesma na parede. Depois da oportunista agitação, um silêncio sepulcral tomou conta da zona.

Mas a barulhada já tinha uma data marcada pra recomeçar. E o previsível fez- se iminência. O fim da irritante “calmaria” aconteceu em 25 de janeiro. Na hora do almoço, por volta das 12h30, a barragem da Vale, em Brumadinho, autodestruiu-se.

Não preciso relembrar a história em detalhes. Mas vale(Vale?) a pena descrever os efeitos . De imediato, um numeroso aparato estatal entrou em campo. O Ministério Público fez o costumeiro banzé. Até a procuradora geral da República deu as caras e falou o óbvio para os veículos de comunicação. A Justiça retirou a venda dos olhos. A Polícia agiu com rapidez e trancafiou meia dúzia de lambaris (o baixo clero da Vale). Afinal, a sociedade comovida cobrava imediatas medidas exemplares, como sempre faz. E, nessas ocasiões, alguém tem que pagar o pato. Enquanto isso, os grandes tubarões (os cardeais da multinacional) continuam livres, leves e soltos.

Essas prisões sensacionalistas (e arbitrárias) desses subalternos são desnecessárias por motivos bastante elementares: 1) Ninguém tem certeza da culpa dos prisioneiros, a apuração de responsabilidades ainda encontra-se no estágio inicial. 2) Esses técnicos da rabeira não estavam atrapalhando os trabalhos de investigação. 3) Os encarcerados ainda não foram condenados. 4) Não houve flagrante delito.

O estardalhaço oficial, porém, mexeu fundo nos cofres da exportadora de minério. Aí sim, por esse motivo, e só por isso, os sócios da empresa entraram em pânico. O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por exemplo, aplicou uma multa de R$ 250 milhões na ex- joia da coroa brasileira.

Mas, o novo ano (que já parece tão velho) começou com forte cheiro de fumaça. O Centro de Treinamento do Flamengo, o ultrapassado Ninho do Urubu, ardeu em chamas. Dez garotos morreram carbonizados. Adivinhe as cenas dos próximos capítulos? Os “protetores do povo” iniciaram uma devassa nas dependências dos clubes tupiniquins. Descobriu-se, e só agora, que algumas dessas espeluncas não tinham nem alvará de funcionamento. O CT do Botafogo, muito pior que o Ninho do Urubu, teve que fechar as portas.

Essa sucessão de calamidades confirma, mais uma vez, que o Brasil só pega no tranco. As ações emergenciais- depois da porta arrombada- explicitaram a perturbadora realidade: os órgãos nacionais de fiscalização são movidos a sangue, lama e fogo. Alguns cadáveres fazem as coisas se movimentarem. É lamentável.

PS; Depois do desastre de Brumadinho, sirenes estão fazendo uma algazarra infernal em diversos pontos de Minas Gerais. E aqui está a pergunta, que insiste em não calar: essas geringonças estavam desligadas? Elas só foram ativadas depois dessa nova tragédia da Vale?

Fernando Silva








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