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Bom dia - Itabira, segunda, 25 de março de 2019 Hora: 09:03

ASSUNTOS GERAIS
A Vale é o Flamengo do mercado e o Flamengo é a Vale do mercado
18/02/2019

O Flamengo nasceu em 1895. O clube foi criado para disputar competições de canoagem. Vem daí o nome oficial da instituição: Clube de Regatas do Flamengo.

A Vale deu as caras em 1942. A velha Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) foi uma tacada de mestre do populista Getúlio Vargas. A exploradora de minério foi inaugurada em plena Segunda Guerra Mundial. Os países aliados necessitavam de ferro para a construção de equipamentos bélicos. E assim começou a CVRD.

A grande Cia foi estatal até 1997. Naquela ocasião, o presidente Fernando Henrique Cardoso botou fora a chamada “joia da coroa brasileira” pela bagatela de três bilhões de reais. A negociata veio disfarçada de um leilão meia- boca pra ludibriar trouxas. Essa venda, portanto, foi eufemismo para dilapidação do patrimônio público. O escandaloso processo foi um grave crime de “lesa- pátria”.

Pouco depois da privatização (sic), a Vale do Rio Doce se transformou na dissilábica Vale. Com a mudança de sua razão social, a multinacional tupiniquim perdeu charme e tamanho. Mas ganhou muito em voracidade.

O Flamengo, às vezes, se minimiza na boca do povo por meio também de duas sílabas. Nessas ocasiões, o clube ganha os carinhosos apelidos de Mengo e Mengão. Pessoas mais econômicas na fala preferem dizer Fla. As opções gramaticais, porém, não alteram a elegância e encantamento dessa genuína paixão popular.

O time carioca e a ex- estatal apresentam algumas semelhanças. A começar pelos símbolos. A logomarca da Vale é um triângulo equilátero de ponta cabeça. O escudo do Flamengo idem.

Nas mãos da iniciativa privada, a antiga CVRD acendeu uma vela a Deus e outra ao mercado. Virou uma leoa: a fera predadora à caça de uma presa conhecida por “lucro a qualquer custo”. No início desse milênio, a exportadora de commodities encampou todas as concorrentes internas de seu segmento (Samarco, MBR e Ferteco). E, pior. No frigir dos ovos, a “espertinha” adquiriu alguns gatos, mas acabou levando um punhado de lebres. Em lugar de lebres, leia-se “perigosos e ultrapassados depósitos de contenção de rejeitos”.

O simpático Flamengo é dono da maior torcida do Brasil. O “mais querido” conta com 30 milhões de seguidores em todo o território nacional, segundo pesquisa Lance/Ibope. Já a Vale é a quarta maior empresa do país, atrás do Itaú/Unibanco, Petrobrás e Bradesco. Em 2018, a mineradora auferiu um lucro superior a cinco bilhões de reais. O orçamento do Flamengo para 2019 é de R$ 750 milhões. Uma fortuna para os padrões do futebol brasileiro. Cerca de R$ 100 milhões serão utilizados no reforço do plantel.

A direção rubro-negra seguiu à risca a cartilha do mercado e partiu com tudo pra cima dos adversários. Cruzeiro e Santos foram as primeiras vítimas. A Raposa foi forçada a negociar Giorgian De Arrascaeta, o mais valorizado jogador do elenco. O Flamengo torrou 13 milhões de euros (55 milhões de reais) para contratar um reserva de luxo da seleção uruguaia. Arrascaeta é muito bom, mas vale bem menos que essa montanha de dinheiro. Nada disso, no entanto, surpreende. Afinal, a banca funciona assim mesmo. Em certos momentos, no desespero das negociações, o ansioso comprador acaba pagando muito por um produto de menor valor.

Flamengo e Vale são idênticos nas estratégias mercadológicas. Mas, lamentavelmente, as duas entidades se imitam também nas tragédias. A Vale contabiliza o rompimento de duas barragens em seu passivo humano, social e ambiental: Fundão e Brumadinho. O glorioso Flamengo manchou com marcas de sangue as páginas de sua rica história.

Dez jovens foram vítimas das precárias condições de uma espelunca para formação de atletas profissionais (Centro de Treinamentos - CT). O clube da Gávea estocava, naquela gambiarra, de forma desumana, 36 “mercadorias” para comercialização futura. No CT sombrio, sonhadores garotos perderam a vida em previsível incêndio de container. Tão previsível e iminente quanto o vazamento de decrépitas barragens do quadrilátero ferrífero mineiro.

A catástrofe do Rio de Janeiro foi causada por um misto de improviso, incompetência e irresponsabilidade. As condições de funcionamento da arapuca eram pra lá de rudimentares. O desastre sinistro ocorreu num espaço físico com nome emblemático- um tétrico monumento à estupidez: “Ninho do Urubu”.

Fernando Silva








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