AS Notícias Online
HOME ESPORTE GERAL POLÍCIA POLÍTICA EMPREGOS MULHERES AGENDA COLUNISTAS FOTOS VÍDEOS CONTATO
Boa tarde - Itabira, quarta, 25 de novembro de 2020 Hora: 12:11

COLUNISTAS
Marcos Gabiroba e a crônica da semana “Uma homenagem ao maior poeta do mundo”
03/11/2020

“Alguns anos vivi em Itabira. Principalmente nasci em Itabira”. Assim iniciou Carlos Drummond de Andrade suas confidências do Itabirano, há alguns anos; um de seus maiores poemas que marcou sua condição de itabirano.

Tanto gosto deste poema que dele plagiei em uma de minhas crônicas: Alguns anos vivi na Gabiroba. Principalmente nasci na Gabiroba, hoje famoso bairro da cidade.

Quando nasci, lá existia a Fábrica de Tecidos da Gabiroba, outrora denominada Companhia União Itabirana, esta fundada em 1875 por abnegados itabiranos da época que, já vislumbrando o progresso industrial constituíram uma Sociedade Anônima, fábrica esta que perdurou até 4 de janeiro de 1964, quando encerrou suas atividades colocando, mais de 500 empregados no olho da rua. Triste fim. Era movida à água, esta em grande abundância em toda região. A Fabrica permaneceu viva por exatos 89 anos. Meu pai trabalhou na Fábrica por exatos 37 anos como Almoxarife e quase todos os meus irmãos seguiram o ritmo de mau pai.

Minha infância e minha adolescência foram forjadas no seio de minha família e de meus eternos colegas de escola – Escola Rural da Gabiroba - sendo certo que somente três deles ainda encontram-se no meio de nós, Geraldo Maurílio Madeira, que reside no Ribeira de baixo, Luiz Januário, no Ribeira e João Câncio, que reside no Bairro Major Lage de Baixo. Drummond escreveu: “A vontade de amar, que me paralisa o trabalho, vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes. E o hábito de sofrer, que tanto me diverte, é doce herança Itabirana”. Faço deste verso como meu, isto, porque, só quem viveu na Gabiroba nos tempos em que éramos forjados sabem o que Drummond expressou em relação à sua terra natal. Na Gabiroba de meu tempo, não tivemos ouro, nem gado, nem fazendas. Fomos, funcionários público certamente, e lá tínhamos todos sábados um baile na casa do João Quirino, João da Cruz Purificação, seu nome de batismo, ou então, na casa do Zeca de dona Laurinda – José Cezário da Silva – onde deliciávamos até altas horas da madrugada, dançando e cantando ao som de um cavaquinho, um violão, um tambor e um pandeiro. Tempos bons que não voltam mais. Parafraseando Drummond, como dói!

Mas estamos hoje rememorando Drummond, que se vivo fosse estaria completando 118 anos. Hoje está vivo em nossas lembranças. Como outrora escreveu em seu poema, “Tantas Fábricas”: “A fábrica de café de João Acaiaba; a fábrica de sabão de Custódio Ribeiro; a fábrica de vinho de João Castilho; a fábrica de meias de François Boissou; a fábrica de chapéus de Monsenhor Felicíssimo; a fábrica de tecidos de Doutor Guerra; a fábrica de ferro do Girau, do Capitão Aires; a fabrica de sonho de cada morador; a fábrica de nãos do governo longínquo; a fabrica de quê? Na intérmina conversa que rumina o milagre e cospe de esquerda no chão.” Acredito que neste poema não foi citada a Fábrica da Gabiroba (Companhia União Itabirana) porque um de seus acionistas era inimigo de sua família, apesar de levar o nome Drumond, este com um só “m”.

Coisas do tempo, minha nêga!

Hoje, escrever e falar de Drummond, de seus poemas e de sua paixão pela terra é fácil! Endeusá-lo, mais fácil ainda. Mas, é bom lembrar aos itabiranos e não itabiranos que, há alguns anos Drummond foi esquecido, e, às vezes, vilipendiado pelo seu esquecimento à terra materna. Só se lembravam de seu verso final de Confidências do Itabirano, quando escreveu: “Itabira é apenas uma fotografia na parede. Mas como dói!”

O professor, Maurício José Martins da Costa, então professor de Filosofia na antiga FACHI – Faculdade de Ciências Humanas de Itabira, então Diretor do Colégio Comercial Itabirano, hoje FIDE – Fundação Itabirana Difusora do Ensino foi o artífice de uma mudança radical a favor do poeta. Maurício e outros abnegados itabiranos movimentaram a cidade – políticos e toda sociedade – para que a grandeza desse poeta fosse “mais grande” no conceito popular. Daí até surgir os “Caminhos Drummondianos” espalhados por toda cidade, patrocinados pela Vale, estes sendo protagonizados pela Itabirana emprestada, Dadá Lacerda.

Mais tarde, vim a compreender, o porquê do ódio implantado ao poeta mor.

Diziam que, Drummond, quando Secretário de Gustavo Capanema, no Ministério da Cultura, durante a Ditadura Vargas – de 1930 a 1945 – poderia ter trazido para Itabira, naquela época, Universidades, ou Faculdades que mudariam os rumos desta cidade. Isto não aconteceu e, o próprio Drummond deixou claro em aberto o porquê, quando escreveu: “Tive ouro, tive gado, tive fazendas. Hoje sou funcionário público.” Já naquela época funcionário público era considerado um zero à esquerda, ou seja, “come quieto e não precisa nada faz” Ao ensejo desta data, 118 anos de sua existência, nossa homenagem ao maior itabirano de todos os tempos! Drummond não foi lenda e sim, uma realidade!

Realidade esta que ressoa em nossos ouvidos tal e qual ao Sino Elias da Catedral:

“O sino Elias não soa por qualquer um, mas quando soa, reboa como nenhum”.

Pensem nisso! Drummond é eterno. Chega! Drummond, foi demais.








INFORMAÇÃO COM RESPONSABILIDADE! Whatsapp: (31) 9 8863-6430
E-mail: contato@asnoticiasonline.com.br
AS Notícias Online 2020. Todos os Direitos Reservados.
Desenvolvedor: SITE OURO

Copyright © 2017 - AS Notícias Online - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.