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Boa madrugada - Itabira, domingo, 07 de junho de 2020 Hora: 00:06

COLUNISTAS
Marcos Gabiroba e a crônica da semana “Por que o carnaval é tão importante no Brasil?”
24/02/2020

Já estamos em pleno ritmo e reinado de Momo. O carnaval, como sabemos, é uma festa pública com origem no cristianismo ocidental, ocorrendo durante fevereiro ou início de março, antes do período litúrgico da Quaresma. A festa combina música e desfile, danças, fantasias com trajes e máscaras. O carnaval moderno é produto da sociedade vitoriana (reinado da Rainha Victória, na Inglaterra) do século XX. Paris foi o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo. Cidades como Nice, Santa Cruz de Tenerife, Nova Orleans e Toronto no Canadá inspiraram o carnaval parisiense para implantar suas novas festas carnavalescas. Mas o Rio de Janeiro, também no século XX criou e exportou o estilo de fazer carnaval com desfiles de escolas de samba para outras cidades do mundo inteiro. São Paulo, Belo Horizonte, Tóquio e Helsinque também entraram na onda do carnaval. O carnaval brasileiro tem samba, axé e frevo e claro, muita alegria nas ruas, nos clubes e até nos sambódromos, não é mesmo? Faça chuva o faça sol o tempo inteiro, o negócio é sambar, pular e dançar. Aqui cabe uma pergunta que não quer calar: Por que o carnaval é tão importante no Brasil? Como estudou o antropólogo Roberto da Matta, durante o carnaval o Brasil se inverte. Os pobres, os oprimidos, os excluídos, vestidos de gente poderosa e rica – reis, rainhas, príncipes e princesas – assumem as avenidas.

Os ricos, os poderosos, os opressores, vestidos de pobres – camisetas surradas, chinelos de dedos e bermudões – ficam do lado de fora, excluídos, apenas assistindo aos pobres-ricos passar. Os ricos-pobres ficam loucos de vontade de entrar na avenida. Não podem. Mesmo que entrem – comprando uma fantasia, financiando uma Escola de Samba – serão sempre figurantes menores, no show que é dos pobre-ricos.

Ninguém, durante o carnaval, é mais importante e feliz do que o favelado, que o sambista do morro, quer aquele anônimo que vira rei nos cinco dias de folia. Daí a incrível beleza do carnaval do Brasil. E é assim que ele deve ser entendido e respeitado. Não há nada igual no mundo. E, como para mostrar a sua desacreditada capacidade de fazer as coisas certas, os pobres-ricos fazem a mais bonita e organizada festa do planeta, onde um segundo basta para desclassificar uma Escola de Samba.

Porém, é importante que nas empresas em que trabalhamos se estenda essa face antropológico-social do carnaval do Brasil, pois ele é um momento em que a desigualdade se inverte e, pelo menos por cinco dias; quem obedece, manda, e quem manda (se tem juízo), obedece. Enxergando o carnaval com um olhar diferente, além do sexo, bebidas e mulheres nuas, você caro ouvinte, já pensou que no carnaval tudo é mais permitido justamente porque, durante esses cinco dias, quem está por cima, é quem, normalmente está por baixo? Repare no orgulho das pessoas em pertencer a um bloco ou Escola de Samba e perceba como são respeitadas a hierarquia e as normas da escola, ou do bloco ou blocos. Se durante o carnaval, o brasileiro simples é capaz de fazer tudo com tanta alegria, beleza e organização, não serão esses os reais valores do povo brasileiro? Passados os cinco dias do reinado de Momo (o deus grego do carnaval), esclarecendo que em alguns estados brasileiros, não são somente cinco dias, mas semanas, até meses dessa euforia, desrespeitando até o inicio da Quaresma.

Esse período em que a penitência é uma obrigação na preparação para a Páscoa. As cinzas que são colocadas nas cabeças ou testas dos fieis cristãos são o sinal de que somos seres vivos preparados também para a morte, pois nos recordam nossa condição de criaturas, fracas e pecadoras. Elas remetem à limitação da morte que o Cristo Ressuscitado venceu. Ele as faz participar da sua vitória. Como discípulos, queremos segui-lo. No Evangelho, Jesus apresenta a oração, o jejum e a esmola como exercícios de conversão. Eles nos aproximam do Pai, ajudam-nos a vencer o egoísmo para praticarmos a solidariedade. Como sabemos há anos, no Brasil realiza-se a Campanha da Fraternidade para vivermos esse tempo mais profundamente, cujo Tema deste ano é: Fraternidade e vida; dom e compromisso. Queremos trabalhar pelo respeito e cuidado com a vida em todas as dimensões e, como Lema: Viu, sentiu compaixão e cuidou dele, conforme nos explicita o Evangelho de Lc 10 33.34.

Pensem nisso. Todo ano, no mês de fevereiro, a cantilena é a mesma: chuvas torrenciais que arrasam cidades; a população mais desprovida de recursos sofre com as consequências; tsunamis no Japão e Indonésia destroem cidades importantes; incêndios em edifícios de milionários e de pobres coitados sofrem com desabamentos; a carnificina, os roubos e tantas outras mazelas desastrosas são esquecidos no período carnavalesco, e tantas outras misérias vão por água abaixo e, ninguém, ninguém mesmo se lembra das catástrofes acontecidas. Felizmente, ainda, ainda não temos terremotos, abalos sísmicos e outras espécies de rompimentos por obra da natureza, porém, o homem com suas qualidades destruidoras, assim o fazem, não é mesmo?

Pobre Brasil. Pobre povo brasileiro. Infelizmente nossa memória é curta, esquecemo- nos facilmente de que a própria natureza cobra tudo aquilo que dela destruímos. Dois brasis? Duas realidades? E o país, oh! Desse tamanhinho. Por essas coisas e outras o nosso carnaval é importante para o país, não é mesmo?








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