AS Notícias Online
HOME ESPORTE GERAL POLÍCIA POLÍTICA EMPREGOS MULHERES AGENDA COLUNISTAS FOTOS VÍDEOS CONTATO
Boa noite - Itabira, domingo, 08 de dezembro de 2019 Hora: 20:12

COLUNISTAS
Marcos Gabiroba e a crônica da semana “Nossa vida comparada a um coral ou a uma orquestra(2)”
12/11/2019

Escrevendo ainda sobre a Orquestra da vida, isto é, que nossa vida pode ser comparada a um Canto Coral ou a uma Orquestra Sinfônica, lembro-me também que, Sintonia pede conjunto. Coral e Orquestra reclamam trabalho de equipe.

Muito trabalho, muita dedicação, muita resignação, muito esforço e, principalmente muita persistência. É tão triste e dramático ver pessoas que ambicionam tocar sozinhas, fazer solo a vida inteira, desprezando colaboração, buscando sobressair, individualmente. A atmosfera está cheia de melodias incoerentes e solitárias, que milhões de homens liberam e nossos ouvidos captam.

O orgulho, o pedantismo e a vaidade foram sempre péssimos cantores e instrumentistas no Canto Coral ou na Orquestra da vida. Basta lembrar a desafinação gerada pelo orgulho de Adão e Eva, quando ainda no paraíso. Gafe monstruosa. Desatino milenar, que balançou o coreto da História até a consumação dos séculos. O Maestro da Sinfonia-Felicidade avisara paternalmente: - Meus filhos, cuidado. Não desafinem. Permaneçam no ritmo que eu estabeleci. Não toquem instrumentos proibidos, abusando da liberdade que lhes deixo. Sejam dóceis. Qualquer desrespeito ou bobagem poderá custar muito caro, estragando toda orquestração da minha partitura sagrada! O Mestre falou e ainda hoje nos fala de forma clara. Mas foi o que se ouviu. Um dia, em má hora, calafetando os ouvidos ele viraram a mesa. Viraram a mesa. E foi o começo do fim. A sinfonia acabou. A tragédia nasceu. E até hoje o homem-borboleta anda e voa, correndo atrás da felicidade. Milênios transcorreram e a herança subsiste.

A herança do paraíso perdido. A gente trabalha, luta e se esforça. Constrói a casa e o vento derruba. Lança alicerces e as pedras nem sempre resistem. E a mulher gera entre dores e gritos. E o suor goteja das frontes. Suor pesado, com gosto de sal, lembrando as águas do mar. E todos nós, “degredados filhos de Eva”, desafinando aqui, acertando acolá, caminhamos para a morte. Morte, a herança mais amarga da desafinação primeira, na manhã do mundo. Um pouco menos amarga, gloriosa até, para os cristãos, porque iluminada pelos fulgores da Ressurreição. Na vida, aprendemos que num Coral ou numa Orquestra desafinada é muito mais difícil achar a nota certa, aprender a partitura e tocar com maestria. Você já pensou nisso?

Você que não pertence a um Coral ou a uma Orquestra deve ter dificuldade de entender o que escrevo, porém, aos participantes de um Grupo Musical ou de uma Orquestra sabe muito bem o que expresso neste espaço, não é mesmo? Conforta, entretanto, que o Maestro Eterno deixou-nos a porta aberta para a recuperação, isto mesmo: a recuperação. A vida é um Coral Lírico ou uma Orquestra Sinfônica. A vida é uma grande sinfonia. E, no alto da partitura, está escrito com letras garrafais, bem grandes, para quem deseja ler, assimilar e reler: “Eu duvido que algum de vocês, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, abandone a que se perdeu do conjunto. Por acaso vocês não deixam as noventa e nove, no deserto, para ir atrás da que se perdeu, até encontrá-la? E não é verdade que quando a encontra, a coloca sobre os ombros, cheios de felicidade? Chegando em casa reúne os amigos e vizinhos para dizer: hoje estou tremendamente feliz, porque, tinha perdido uma ovelha do meu rebanho e tornei a encontrá-la! É bom que saibamos que no Reino dos Céus haverá maior alegria por um pecador arrependido, do que por noventa e nove justos que não precisam de arrependimento” (Lc 15.1-7) Meus amigos e ouvintes, a vida é um Coral ou uma Orquestra. Conjunto, Rebanho, Comunidade. Já pensou nisso? Hoje fico pensando nos meus ex-colegas de Coral que desafinavam. Quantas e quantas vezes, eu também desafinei! Com isso, abandonávamos o conjunto, desgarrando do rebanho, tentando fazer a vida sozinha!... Nesses momentos me lembrava do Filho Pródigo; de Maria Madalena; da Samaritana e de Zaqueu, como também de Pedro negando a Cristo por três vezes; de Judas Iscariotes, o traidor. Dos Apóstolos fugindo por medo das verdades reveladoras. De Herodes esbaldando em vinhos e algazarras palacianas, gargalhando e impondo aos demais sua pequenez. De Pilatos, tremendo de medo.

Do jovem rico, que recuou perante a Cruz, sem ânimo para abandonar suas posses materiais. Até hoje fico pensando em todos nós, homens do século XXI. Nós que desafinamos aqui e retornamos a um certo ritmo, depois. Misturando bemóis e sustenidos. Cantando solo fora da hora. Bagunçando o coreto, de vez em quando.

No fundo, no fundo, assemelhamo-nos um pouco àqueles conjuntos de jovens existentes por aí afora, cheios de boa vontade, nada mais do que boa vontade.

Entusiasmados com seu progresso musical; sonhando alto, mais irritando a vizinhança com seus ruídos, suas algazarras e desafinações. Não é mesmo?

E recordando a parábola do Bom Pastor, um sorriso de esperança aflora nossos lábios, subindo do fundo da alma confiante. Já perdi muita coisa na vida, porém, à medida que o tempo passa rápido demais, mais se robustece minha confiança e fé na compreensão do Mestre divino. Definitivamente risquei de minha agenda pessoal o Deus-castigador, o Deus-vingativo, o Deus-polícia, o Deus-fiscal. E nestas dimensões a um Deus misericordioso; de muito perdão, muito psicólogo e muito Pai, fico imaginando o encontro, na eternidade, Ele me dizendo: - Meu filho, mesmo desafinado, teu saldo é positivo. Vai entrando, a porta está aberta. A casa é tua. Vem... A boa vontade, tecida de esforço, salva também! Pensem nisso.








INFORMAÇÃO COM RESPONSABILIDADE! Whatsapp: (31) 9 8863-6430
E-mail: contato@asnoticiasonline.com.br
AS Notícias Online 2019. Todos os Direitos Reservados.
Desenvolvedor: SITE OURO

Copyright © 2017 - AS Notícias Online - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.