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Boa noite - Itabira, sexta, 19 de julho de 2019 Hora: 21:07

COLUNISTAS
Marcos Gabiroba e a crônica da semana “Os tsunamis da Vale e o futuro de Itabira”
11/02/2019

Ainda consternado pelo rompimento da barragem de rejeitos da Vale em Brumadinho, onde se constatou, até agora, 157 mortos e 182 desaparecidos e uma cidade arrasada, nos irmanamos às famílias em suas dores pelas perdas irreparáveis, e, ao mesmo tempo agradecendo ao Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Civil pela luta insana no turbilhão de destroços a salvar vidas e encontrar corpos dos desaparecidos.

Em enchentes, terremotos e tsunamis, recebemos notícias de desastres naturais em todo planeta e também relatos do sofrimento de quem sobrevive a essas tragédias.

Muitas dessas pessoas tinham sido avisadas do iminente perigo de estarem alojadas em Áreas de Risco, mas recusaram-se a deixar suas casas, alegando não terem para onde ir. Na Terra de Tutu Caramujo, principalmente, se faz ouvir esse desabafo.

Claro e evidente que se trata de pessoas de menores possibilidades econômicas. Será que não têm para onde ir? Será que correr o risco de morrer é melhor do que buscar auxílio em outro lugar? Acredito que muitas mortes poderiam ser evitadas se as pessoas conscientes, não insistissem em ficar nas áreas de risco e escutassem os alertas do perigo iminente saíssem de suas moradas e procurassem lugares mais seguros, onde estariam garantindo suas vidas e ficassem livres de um possível desastre. Eis uma questão, não é mesmo? Os acontecimentos estão à prova. Primeiro foi Mariana. Logo em seguida, Brumadinho, quiçá, seja esta a última. Não sabemos.

Na Bíblia podemos tirar proveito no Evangelho de Lc 16. 19-31. Leia-o. A história narrada, advinda do Livro Pv 23.19 nos dá o condão e o aprendizado para situações iminentes como as ocorridas nestas duas cidadese, pois prevenir é melhor que remediar: “Ouça, meu filho, e seja sábio, guie o seu coração pelo bom caminho”.

Quem vive como o rico, conforme explicita o Evangelho de Lucas vai enfrentar uma verdadeira tragédia quando a morte chegar. Sua situação é a mesma daquelas pessoas que vivem em áreas de risco e parece não se importarem com o fato de que um dia a casa vai cair. Pessoas assim vivem na “zona de conforto” e se divertem como o rico avarento; trabalham, festejam, mas não querem saber de Deus. Talvez, vocês que me acompanham semanalmente, até já ouviu falar a respeito de Jesus, mas não querem deixar a vida que têm para segui-lo. Não estão ouvindo os sinais de perigo! Precisam buscar a Deus enquanto lhes resta um tempo! Já quem vive com Deus, mesmo que esteja passando pelas maiores tragédias, terá o mesmo fim do pobre Lázaro. Já pensou nisso! Ele não tinha nada além do temor a Deus, mas quando morreu foi levado para o conforto eterno.

Aqui, neste instante ouso perguntar: qual é a sua situação hoje de se viver à beira, ou abaixo de uma barragem de rejeitos com mais de 280 milhões metros cúbitos de água e rejeitos? Lembrem-se: a sua vida está em “área de risco”, busque o Senhor antes que venha a tragédia. Pensem nisso. Por outro lado, observando as Escrituras encontramos nela a advertência: “Deus fara prestar contas de tudo que está oculto, todo ato, seja ele bom ou mau”. Nos acontecimentos das cidades arrasadas, dizem, que existia uma ou duas sirenes para prevenção de qualquer anormalidade. Elas não funcionaram e deu no que deu. Avisos acompanham a nossa vida, prevenindo-nos de riscos iminentes à saúde, à segurança e a tudo mais. Infelizmente, a falta de aviso lança o incauto em perigos até à morte. Foi exatamente isto que aconteceu e, possivelmente pode acontecer na Terra de Tutu Caramujo, apesar das garantias até então invocadas e focadas, mas para tanto manter-se a cautela é dever de quem está sujeito às intempéries e surpresas, pois tudo acontece na hora em que menos esperamos.

Como afirmam os que se salvaram dos horrores das duas cidades, “não dá tempo nem de se respirar”. “O mundo acaba”, como acabou para centenas de vidas humanas, nossos companheiros, de animais e a própria natureza em seu meio ambiente. Meus amigos e ouvintes chegou a hora da Vale destruir os muros que ela própria construiu ao longo de sua existência, entre ela e a sociedades por onde explora o minério de ferro e deixa suas consequências danosas. Itabira hoje se vê nessa iminência de possível repetição de seus desmandos na construção de barragens.

O desespero que predomina àqueles que vivem à margem dessas estruturas é a causa maior no ser humano, após os incidentes destas duas cidades destruídas. Chegou a hora de se construir, não mais barragens de rejeitos, mas sim pontes de entendimentos para que esse mal não volte a acontecer aqui, ali, acolá e alhures. Não queremos, nem desejamos, em hipótese alguma, que nossa cidade se transforme, definitivamente, num verdadeiro “retrato na parede” como profetizou nosso inesquecível poeta mor, Carlos Drummond de Andrade quando escreveu: “Alguns anos vivi em Itabira, principalmente nasci em Itabira. Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. Noventa por cento de ferro nas calçadas. Oitenta por cento de ferro nas almas. E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação. A vontade de amar, que me paralisa o trabalho, vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes. E o hábito de sofrer, que tanto me diverte, é doce herança itabirana. De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço: esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil, este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval; este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas; este orgulho, esta cabeça baixa... Tive ouro, tive gado, tive fazendas.

Hoje sou funcionário público. Itabira é apenas uma fotografia na parede. Mas como dói”. Amigos e ouvintes Drummond era escritor e poeta. Não foi um profeta, mas como soube nos prevenir. Disse tudo, felizmente ou infelizmente, não é mesmo?

Portanto, ouçamos os sinais de Deus. Ele está presente no meio de nós. Acreditem.








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