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Bom dia - Itabira, segunda, 17 de junho de 2019 Hora: 08:06

COLUNISTAS
Marcos Gabiroba e a crônica da semana “O Vale da prepotência e a Vale da morte”
04/02/2019

Meus amigos e amigas de nosso encontro semanal, não era minha intenção abordar aqui neste espaço “O Inferno de Dante” vivido nestes dias, pelo povo de Brumadinho, cidade próxima a Belo Horizonte tendo em vista o acontecimento trágico do desmoronamento de mais uma barragem da Vale.

Escrevem os grandes editoriais de jornais famosos que, desde 1986 que avisos vinham sendo dados às autoridades e à população do Estado e, principalmente, a esta cidade de Tutu Caramujo; consubstanciados em outros rompimentos de barragens de menores proporções, sempre iminentes. Olhem bem, se acontecem pequenos rompimentos em menores proporções, claro lógico e evidente que “Tsunamis de lama” poderiam acontecer a qualquer momento, não é mesmo? Pois é ninguém se preocupou até que em cinco de novembro de 2015 veio o rompimento da barragem de Fundão em Mariana. Todos, indistintamente conhecem as causas e os efeitos para a população de Bento Rodrigues, distrito totalmente destruído, arrasado.

Com jeitinho daqui, ou jeitinho dali, o povo de Bento Rodrigues até hoje está ao léu.

Todo mundo foi para o “beleléu” e tudo continua como Dante no quartel de Abranches, não é mesmo? Alguém foi punido, condenado, respondido, ou responsabilizado pelo desastre acontecido? N I N G U É M, até agora.

Ao completarem três anos e três meses depois deste acontecimento trágico, em Mariana, acontece agora a tragédia maior: rompimento da barragem inativa da Vale em Brumadinho. O mundo parou. Parou em pasmo pelo acontecimento já então previsto, pelos entendedores do assunto. Resultado: até o momento em que escrevo este espaço, cento e dez mortos e duzentos e trinta e oito desaparecidos. “Que coisa meu Deus do céu, isto não poderia ter acontecido” como diria meu inesquecível amigo, Monsenhor José Lopes dos Santos, o padre Lopão de saudosa memória.

Não desejo, nem quero aqui ser um defensor, sequer ser um acusador da Vale neste momento cruel para ela e seus dirigentes, nem ser um profeta do acontecido. A direção da Vale errou? Não me cabe entrar neste campo recheado de “Failks News”, ou verdades verdadeiras. Não desejo espalhar discórdias ou desesperos, ou sequer desequilíbrios emocionais a ninguém, mas é preciso que com mais essa lição possamos ajudar no que nos permite o bom senso. Atirar pedras em quem quer que seja é muito fácil, o difícil e segurar as pedras nas mãos. Já pensou nisso?

O que dói mesmo é que em meio a todo esse acontecimento desastroso é ouvir o prefeito de Mariana e agora o de Brumadinho, dizerem publicamente “que lamentam o ocorrido, porém os Municípios estão falidos, pois a arrecadação, até então existente ruiu, juntamente com a lama da indignidade”. Como a Vale só pensam no lucro ou no vil metal, as vidas ceifadas não passam de um mero detalhe, não é mesmo? Com tantas mortes e desaparecidos, espera-se que finalmente, os homens tomem consciência de que a exploração desenfreada dos recursos naturais não é feita impunimente e que é preciso buscar outras tecnologias menos impactantes à vida de pessoas e do planeta. O sistema ecológico de Mariana e de Brumadinho, assim como todo sistema mineral do Brasil está de luto; luto por causa da irresponsabilidade de homens desqualificados para exercerem seus papéis e de gerirem empresas no porte de uma Vale, a maior empresa mineradora do mundo. O lucro fácil leva à irresponsabilidade. Querer culpar tão somente a Vale é inconsequência. Onde estão os políticos que receberam milhões de reais para abafarem as modificações nas leis de concessão para a mineração? Quase todos, senão todos foram reeleitos em outubro passado com uso do vil metal da Vale, não é mesmo? Onde estão os fiscais que são pagos para exercerem sua profissão com dignidade? Deveriam estar agora, todos incluídos como corresponsáveis da desgraça acontecida, em Mariana e agora em Brumadinho, não é mesmo? “Estou certo ou estou errado”?, como dizia Sinhozinho Malta, na antiga novela da Rede Globo, Roque Santeiro. Apesar de Mariana, governo e empresários falavam em facilitar os licenciamentos ambientais, de forma a aliviar às exigências burocráticas que retardam os empreendimentos, num período em que o Brasil precisa urgentemente de retomar o crescimento. A tragédia de Brumadinho vem evidenciar o outro lado desse desenvolvimento a qualquer custo, até agora só pago pela sociedade, a troco de alguns empregos. Pensem nisso. Mariana até hoje não teve reparados seus danos. Brumadinho não poderá ser uma repetição, apesar de que tudo indica que tudo ficará como Dante no quartel de Abranches. A sociedade de hoje exige que as responsabilidades sejam apuradas e os danos qualificados. Mãos à obra!

A crônica de hoje tem a finalidade precípua de alertar nosso prefeito, Ronaldo Magalhães e a nossos políticos atuantes, pois a Terra de Tutu Caramujo também está na iminência de sofrer os mesmos danos irreparáveis como os de Mariana e Brumadinho. Como sabemos em torno da cidade existem barragens de alta periculosidade da Vale, estas construídas no sistema Ajustante, e não, no sistema Ajusante ou Argolo como expressam os especialistas do ramo. Urgente e necessário que sejam tomadas providências judicias para se garantir ao Município e ao povo que vive correndo risco segurança, socorro moral e financeiro “ad aeternam” para que Itabira, no futuro não seja objeto e consequência dessa desgraça.

Como sabemos daqui a nove anos a Vale diz a Itabira: “O último a sair apague a luz”; “Adeus Mariana que já fui embora”. “Arriverdete Roma”; ou melhor, dizendo: Arriverdete Itabira. Fui. Pensem nisso.








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