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Boa tarde - Itabira, domingo, 11 de abril de 2021 Hora: 13:04

GERAL
Parque do Limoeiro completa 10 anos como modelo em conservação do meio ambiente e com planos para criar um polo de educação ambiental
22/03/2021

Dez anos depois da publicação do decreto que instituiu oficialmente a criação do Parque Estadual Mata do Limoeiro, a unidade de conservação gerenciada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) contabiliza avanços para a proteção do meio ambiente com envolvimento maciço da população em projetos que fortalecem a conservação da UC. Enquanto completa uma década de existência, a unidade que já é uma referência em educação ambiental faz planos para se tornar um polo estadual no tema, com investimentos previstos ainda para o ano de 2021.

Criado em 22 de março de 2011, o parque preserva fragmentos dos biomas mata atlântica e cerrado, o que garante uma grande diversidade biológica. A unidade ocupa a área da antiga Fazenda do Limoeiro, que hoje não existe mais, e, entre outros motivos, foi implantada para frear especulações surgidas ainda no final da década de 1980 e início da década de 1990 sobre uma possível exploração de carvão vegetal na área. Outra razão foi a necessidade da composição de um mosaico de unidades de conservação na região, contribuindo com a preservação da biodiversidade em conjunto com unidades federais e municipais.

Atualmente, o parque conta com importantes atrativos turísticos, como cachoeiras, trilhas e mirantes, que influenciam diretamente no turismo de Ipoema e positivamente na qualidade de vida da população local e também do entorno, incluindo a Região Metropolitana de Belo Horizonte. Afinal, a unidade está a apenas 90 quilômetros da capital mineira.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL RECONHECIDA A NÍVEL NACIONAL

O trabalho de educação ambiental é uma consolidação de uma série de projetos desenvolvidos pela equipe do parque, coordenada pelo gerente Alex Amaral. O conjunto dessas ações foi agraciado em 2016 como a melhor iniciativa em educação ambiental pelo Prêmio Hugo Werneck de Sustentabilidade e Amor à Natureza, o que confirma o protagonismo no assunto.

Antes disso, o parque já havia sido um dos indicados para a categoria de mobilização social na mesma premiação. “A comunidade local se envolveu demais com os trabalhos que foram propostos. Hoje, 10 anos depois da criação da unidade, vejo que o maior ganho é esse envolvimento local nos projetos.

Eles permitem participação e os moradores se sentem parte do que acontece dentro do parque”, diz o gerente.

O programa Limoeiro em Ação, base da organização das ações do Parque, tem os projetos Ecofolia e Natal em Comunidades como grandes pilares. Além deles, o parque também conta com outras vertentes, como o contato com escolas e faculdades por meio de concursos de desenho, redação, formação de agentes verdes e visitas das instituições ao parque. Em parceria com essas instituições, é realizado também o programa Limoeiro Mais Verde, com mutirões de plantio de mudas, e o projeto Postal Limoeiro, que possibilita que alunos das escolas troquem cartas temáticas sobre meio ambiente com parceiros da UC.

Outra linha de atuação da educação ambiental são as visitas guiadas, onde, além de conhecer os atrativos naturais, estudantes podem visitar as salas temáticas que trazem exposições para refletir sobre o consumismo, caça e pesca predatórias e uma sala de exposição de arte com objetos recicláveis. Destaque ainda para o Limoeiro Noturno, que consiste em caminhadas noturnas pelas trilhas. A experiência permite a reflexão sobre o quanto o ambiente está vivo, é dinâmico, mutável e harmônico.

As ações que buscam conscientizar as pessoas sobre a importância de se preservar os recursos naturais passam ainda por seminários de educação e gestão ambiental, fomento à difusão do conhecimento com intercâmbios com outras unidades de conservação, projeto de ações para prevenção e combate a incêndios florestais (Fogo Zero), e também o Recicla Mais. Essa é uma iniciativa que trabalha a reciclagem e reutilização de diversos objetos que possam ser reaproveitados na unidade de conservação, como cadeiras, mesas, madeiras de cancelas e cercas. Diversas placas, pontes e móveis foram construídos, desde 2014, por meio do projeto, promovendo economia de recursos públicos e a sustentabilidade. “As diretrizes do Sistema Nacional de Unidades de Conservação são pouco efetivas sem educação ambiental. Para proteger o patrimônio natural, o principal investimento de uma unidade de conservação é a conscientização”, acrescenta o gerente Alex Amaral.

UM PARQUE FORTALECIDO POR SUAS COMUNIDADES

Os trabalhos desenvolvidos de educação ambiental só apresentam o resultado esperado de proteção e preservação se tiverem as comunidades do entorno como parceiras, de acordo com o gestor. No entorno do Limoeiro, diversos vilarejos foram convidados a participar dos projetos e ações desenvolvidos no parque e abraçaram as ideias. As comunidades participam de diversas formas. Elas estão representadas no Conselho Consultivo, visitam o parque, se voluntariam em projetos e ações, organizam reuniões e palestras para que a equipe da unidade possa esclarecer dúvidas, apoiam diretamente o projeto Fogo Zero na época mais crítica da seca, e também apoiam o mapeamento de crianças para uma atividade que é bastante consolidada no Limoeiro, o Natal em Comunidades.

Essa é uma iniciativa que recebe diversas atrações na época do Natal, como pula-pula, corte de cabelo, bate-papo sobre a importância do parque, lanches, guloseimas e ainda multa cultura. A programação costuma prever apresentação teatral, coral, palhaços e fantasias. Com o apoio dos parceiros, o parque faz uma grande campanha para arrecadar presentes para centenas de crianças cadastradas, com o apoio de agentes comunitários de saúde. O trabalho conta com a parceria de diversas entidades que multiplicam a campanha de arrecadação e, no final, garantem que as crianças recebam seus presentes, que são entregues pelo Papai Noel.

O empresário Luiz Carlos Figueiredo, que é dono de uma pousada em Ipoema e vive no local, a 4 Km do parque, é um dos apoiadores do projeto e participa ativamente das atividades desenvolvidas pela unidade. “O parque é um atrativo de Ipoema que oferece as melhores experiências para quem vem nos visitar. O trabalho desenvolvido é muito importante. Meus filhos foram agraciados com a campanha do Natal e sempre que possível a gente arrecada doações para essa atividade. Além de tudo ainda tem a questão da preservação, que significa oxigênio no futuro”, diz ele.

A bióloga Cibele Andrade de Alvarenga é uma das pessoas que participa do Conselho Consultivo do parque, representando uma cadeira da Fundação Comunitária do Ensino Superior de Itabira (Funcesi). Ela destaca que a criação do parque foi importantíssima para a cidade de Itabira, porque não havia uma área verde daquele porte que as pessoas pudessem visitar. Além disso, o distrito de Ipoema foi bastante beneficiado nos últimos 10 anos. “Além de preservar os recursos naturais o parque uniu a comunidade, porque são vários vilarejos próximos e as pessoas não tinham contato umas com as outras. A unidade fez a conexão dessas populações e se tornou um centro de referência”, diz ela. Ainda segundo a conselheira do Limoeiro, o trabalho desenvolvido no âmbito do Conselho Consultivo também permite que a unidade consiga desenvolver várias parcerias, já que muitos setores são representados dentro do conselho.

PREVISÃO DE AMPLIAR A REFERÊNCIA

Se hoje a realidade já coloca o Limoeiro como modelo em relação ao tema educação ambiental, a intenção da equipe do parque é consolidar ainda mais a referência no assunto em um futuro próximo. Projetos de reforma da sede estão sendo executados neste momento com recursos de compensação minerária. A ideia é que as obras que ainda estão sendo projetadas sejam iniciadas em 2021. Estão previstas algumas adaptações no imóvel da sede do parque, bem como a instalação de um restaurante, centro de visitantes e a criação, dentro da sede, do Centro Mineiro de Educação Para Conservação.

Segundo o gerente do parque, a ideia é que o Centro seja um polo do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema) para a realização de encontros e cursos, que por ventura precisarem e puderem acontecer de forma presencial. A estrutura ainda prevê um auditório para 120 pessoas, o que poderia fortalecer bastante o turismo em Ipoema tanto na parte ecológica quanto de negócios. “Queremos que o parque se torne uma referência nacional em conscientização, proteção e educação ambiental”, pontua Alex Amaral.

TRABALHOS NA PANDEMIA

A pandemia de Covid-19 manteve o parque fechado por sete meses no ano passado, situação que se repete atualmente com a inclusão de todo o Estado de Minas Gerais na onda roxa do Plano Minas Consciente, que permite o funcionamento apenas de atividades essenciais.

Apesar desses fechamentos, a equipe composta por 11 servidores não parou em nenhum momento de trabalhar. Funcionários aproveitaram para criar novos equipamentos de entretenimento para os visitantes tirarem fotos e também avançaram em tarefas como o reconhecimento de um novo mirante. A ideia é que a escolha do nome seja definida por meio de votação popular. E as atividades de monitoramento e manutenção continuaram da mesma maneira, enquanto a presença do público esteve proibida.

ATRATIVOS IMPERDÍVEIS

O grande diferencial do Parque Estadual Mata do Limoeiro é seu conjunto de atrativos ecológicos, que oferece lazer e aventura em diferentes formatos para os visitantes. A combinação de cachoeiras, trilhas e mirantes é perfeita para quem não abre mão de um contato direto com a natureza. Entre as cachoeiras, destaque para a Cachoeira do Derrubado, que conta com uma queda d’água imponente, com altura de mais de 40 metros, e um grande poço, propício para banho em épocas secas. Na parte baixa, é possível cruzar o Córrego do Macuco em direção à comunidade do Cedro. A cachoeira está situada a 4,5 km de distância da sede do parque, o que significa cerca de uma hora de caminhada.

Já a Cachoeira do Paredão é formada por três corredeiras e poços propícios para banho, principalmente em períodos secos, uma vez que em períodos de chuva o local fica perigoso por causa do aumento do volume de água. Está situada a 3,3 km de distância da sede do parque e cerca de 45 minutos de caminhada. A Cascata do Limoeiro é formada por pequenas quedas d’água e poços propícios para banho, que os moradores costumam caracterizar como o coração da Mata do Limoeiro. Ela está situada a 3,5 km de distância da sede do parque (50 minutos de caminhada). Todos esses atrativos são conectados por um circuito de oito quilômetros que circunda o parque e pode ser percorrido de bicicleta com pequenos obstáculos naturais.

O parque ainda conta com outros atrativos, como a Gruta do Limoeiro, que serve de abrigo para mamíferos de porte elevado e é local de habitação para morcegos. No local, é comum ver registros de pegadas de animais que utilizam o espaço. A visitação só é permitida com autorização da gerência da unidade e com acompanhamento de guia. Está situada a 4,8 km de distância da sede do parque.

COMEMORAÇÃO VIRTUAL

Em acordo com o momento mais crítico de pandemia da Covid-19, a celebração pelos 10 anos do Parque do Limoeiro se dará forma virtual, com o lançamento do livro “Olhares sobre o Parque Estadual Mata do Limoeiro”. A publicação traz 40 imagens da unidade de conservação, que são resultado de diferentes olhares de 13 fotógrafos sobre a área protegida. O livro foi desenvolvido com recursos de um Termo de Ajustamento de Conduta celebrado com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). O evento será realizado nesta quarta-feira, 24 de março, às 19h, e poderá ser acompanhado ao vivo por qualquer interessado.








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