Daniel Vorcaro e Flávio Carneiro trataram sobre negociação para a compra do jornal, usando precatórios. Dívida é de mais de R$ 1 bilhão
Da Redação Metrópoles

Nos meses que antecederam a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o banqueiro tratou com o sócio Flávio Carneiro sobre a compra do jornal Correio Braziliense, que enfrenta crise financeira e está prestes a pedir recuperação judicial. Mensagens extraídas do celular de Vorcaro que vieram a público nos últimos dias revelam que, em 10 de abril de 2025, Flávio Carneiro passou um relatório a Vorcaro segundo o qual o grupo “assumiu o editorial do Correio” desde o dia 1º daquele mês.
“Diários Associados: anexo o modelo de negócio que eu bolei com o Leo Palhares. Temos mais 35 dias para apresentar os precatórios na PGFN [Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional]”, comunicou Flávio Carneiro a Vorcaro.
A mensagem faz menção à estratégia dos empresários para utilizar precatórios federais com o objetivo de amortizar débitos inscritos em dívida ativa da União. O jornal deve aos cofres públicos R$ 589,4 milhões, segundo o portal da PGFN – a dívida do grupo Diários Associados, controlador do Correio Braziliense, chega a R$ 1,4 bilhão.

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O uso do Correio Braziliense para os interesses do banqueiro e do sócio é citado desde 2024. Em 26 de abril, Vorcaro e Flávio Carneiro discutiam a divulgação da participação do dono do Master no I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, com presença de autoridades, em Londres. Flávio Carneiro sugeriu a Vorcaro: “Se quiser, eu planto uma nota no Correio Braziliense amanhã cedo”.

Em 12 de agosto de 2025, Flávio Carneiro escreveu a Vorcaro sobre a negociação da compra do jornal e comunicou o acordo contratual: “Correio assinado. Agora depende só de nós”. Vorcaro questionou “pra quem”, e o sócio declarou: “Pro veículo que estamos montando, com a minuta que fizemos sem precisar alterar nada. Unânime”, declarou.
A iniciativa de Vorcaro e do sócio em adquirir o Correio Braziliense acabou naufragando antes de o Master ser liquidado, em novembro de 2025.
A primeira menção ao Correio Braziliense na série de diálogos divulgada recentemente ocorreu em janeiro de 2024, quando Flávio Carneiro fala sobre um acerto com uma jornalista para “o projeto Correio Braziliense”.
“Não fechamos nada com ela, né?”, perguntou Vorcaro. O sócio afirmou: “Não, mas tá apalavrado que dando certo o projeto do Correio Braziliense, ela vem para assumir a coluna e gerar audiência”.
Dois dias após o anúncio de que o BRB compraria o Banco Master, em 30 de março de 2025, Vorcaro reclamou com o sócio que “nenhum veículo nosso fez uma matéria de análise positiva” e pediu que ele fizesse a solicitação ao “Platô e ao Correio”.
“Amanhã todos têm que ter análises com os fundamentos que passamos. Temos que desmascarar essas matérias compradas com a realidade. E a realidade é que a chance do Bacen não aprovar é zero”, declarou o dono do Master. Seis meses depois, o Banco Central rejeitou a operação e, em novembro, Vorcaro acabou preso e o Master foi liquidado.

De 2024 a 2025, Vorcaro e Flávio Carneiro discutiam o comando sobre o jornal. Em 3 de agosto de 2025, Flávio Carneiro comunicou a Vorcaro que iria a Brasília para “alinhar” com o Platô e o Correio Braziliense uma ofensiva contra o ex-candidato a governador do Distrito Federal Ricardo Cappelli (PSB), que publicava conteúdo crítico ao Banco Master e ao BRB. A ordem de Vorcaro era “moer” Cappelli. “Vamos desancar esse desgraçado”, respondeu o sócio.
Seis dias depois, Flávio Carneiro encaminhou a Vorcaro oito perguntas que ele recebeu sobre “as negociações com o Correio Braziliense”.
Em 1º setembro de 2025, Flávio Carneiro descreveu que estava “segurando na unha o tema do Correio e dos Diários” e cobrou um posicionamento de Vorcaro. “Tá tudo parado numa pendência do Ricardo conversar contigo pra ele alinhar algo que não quis me falar entre vocês dois. Você pode escrever pra ele? Documento está pronto pra ser assinado, só depende de você agora”, acrescentou.
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