Escrito: Nivaldo Barbosa – www.futebolitabirano.com.br
Para quem acompanha o futebol amador de Itabira há décadas, basta fechar os olhos para voltar no tempo e enxergar campos que hoje já não existem mais. Lugares que fizeram parte da história do futebol da cidade e que, por muitos anos, foram verdadeiros templos da bola.

Quem não se lembra do campo da Ferroviária, onde hoje está o Fórum? E do campo do 105, na Vila 105? Do São Cristóvão e do Vila Nova, onde hoje está a Prefeitura? Do Ivipa, na Camarinha? Do Paraense, no Chacrinha? Do Montanhês, na Vila Conceição de Cima? Do Brasileirinho, no Explosivo? Do Imperial onde é a Ativa? Ou do River, na região onde hoje está o Motel Vila Real? E ainda tem o campo do Luziense, que deu lugar a uma pracinha na Praia.
São lugares que desapareceram do mapa, mas que continuam vivos na memória de quem viveu o futebol amador de Itabira.
Dos clubes citados, River, São Cristóvão, São Lourenço e Vila Nova conseguiram ser relocados e continuaram escrevendo suas histórias em outros locais. Os campos, porém, ficaram para trás, levando consigo uma parte importante da paisagem esportiva da cidade.
Eram campos diferentes dos que vemos hoje. Apenas o 105 tinha gramado. Os demais eram o tradicional terrão: poeira levantando nos dias secos e lama tomando conta quando a chuva chegava, tornando a bola G18 um peso insuportável. Era o futebol raiz.
Ali desfilaram atletas de alto nível do futebol amador, jogadores que tinham talento, personalidade e, acima de tudo, amor pela camisa. Muitos entravam em campo sem qualquer estrutura, mas jogavam como se estivessem em um grande estádio.
Naqueles campos, a bola corria, a poeira subia e a torcida fazia a festa. Não havia luxo, mas havia paixão. Não havia grandes estruturas, mas havia jogadores que transformavam cada partida em espetáculo.
Hoje, muitos desses campos deram lugar a prédios, mineração, ruas, praças e novas construções. A cidade mudou, o progresso chegou e o futebol também mudou. Mas quem viveu aquela época sabe: os campos podem desaparecer, mas as histórias permanecem.
Cada um deles deixou sua marca no futebol de Itabira. Foram palcos de grandes partidas, revelaram jogadores, reuniram famílias e ajudaram a construir a identidade do nosso futebol amador. Porque, no fim das contas, naquela época era tudo muito simples, um campo de terra, uma bola e o amor pelo futebol.