Por Tatiana Santos
Morreu na manhã desta terça-feira (18/08), a itabirana Ivone Nogueira, moradora do bairro Juca Rosa. Ela foi diagnosticada em 2023 com a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença neurodegenerativa rara e progressiva que afeta o controle dos movimentos voluntários do corpo. Ela morreu quando a mãe, conhecida como Dona Rita, preparava o banho matinal da filha. Elas estavam conversando e a mãe se ausentou por uns minutos, assim que voltou para dar o banho em Ivone, já a encontrou sem vida. O velório será nesta quarta-feira (19), de 7h às 14h. A família não informou sobre o local.

Em 2025, à Rádio Pontal, Ivone disse acreditar que a doença tinha um desígnio de Deus. Apesar do rápido avanço da doença, ela estava confiante que se recuperaria para contar sua história, motivando outras pessoas. “Eu falo que nada não acontece por acaso. Tudo tem um propósito d’Ele. Isso que eu estou passando é um processo. Ele tem o começo, o meio e o fim. E eu creio no fim de Deus, que vou ser levantada depois, com um grande testemunho daquilo que Deus fez na minha vida”, declarou, na época.
Por fim, a itabirana deixou uma palavra de encorajamento: “Talvez vocês tenham uma dor de cabeça ou um probleminha. Não deixem de olhar, não. Porque começou comigo foi assim. E eu nem percebia. Eu caía e deu esse problema sério que é grave para a medicina. Não tem cura. Mas, igual eu falo, eu não me apeguei à palavra da medicina. Eu apeguei na palavra de Deus. A última palavra é d’Ele e eu estou com Ele. Porque a palavra final é d’Ele, e Ele pode curar”, afirmou, demonstrando que deixou um legado de fé e confiança.
Diagnóstico
Antes do diagnóstico, Ivone começou a ter quedas frequentes, até então sem entender o motivo de cair tanto. Ela contou que inicialmente procurou um cardiologista para avaliar a situação, e apesar de apresentar batimentos cardíacos baixos, essa não era a razão das quedas, que acabou afetando seus joelhos. Ao consultar um ortopedista, Ivone descobriu que precisaria fazer uma cirurgia. Foi até um especialista em joelho, um neurofisiologista em Belo Horizonte, que suspeitou que seu problema não era somente nessa articulação, pois as pernas estavam fracas. Após uma série de exames, foi descoberta a ELA. Desde então, Ivone travou uma batalha financeira e emocional para conseguir levantar recursos para o tratamento da doença, para que tenha uma melhor qualidade de vida.
Apoio em meio às dificuldades
Desde a descoberta da doença, Ivone, que era uma muito querida na comunidade, recebeu ajuda da família e amigos. Em março de 2026, a prima Lilian Santiago, que estava acompanhando de perto a rotina dela, relatou à Rádio Pontal sobre a situação da parente e pediu apoio de toda a comunidade, em uma campanha para garantir suporte à Ivone. De acordo com Lilian, a prima era uma pessoa que andava, fazia suas atividades, tinha uma vida ativa. Em pouquíssimo tempo, a mobilidade foi sendo reduzida até chegar ao estágio mais recente, em que precisa permanecer na cama. Com isso, Lilian mobilizou uma campanha de arrecadação para ajudar nas despesas com o tratamento. Em novembro de 2024, a dupla Sérgio e Delson realizou um show beneficente para ajudar a arcar com os gastos do tratamento. Ivone precisou fazer adaptações na casa simples em que morava com a mãe e a irmã que tem deficiência. A reforma, inclusive, contou com a ajuda de terceiros.