Mulher que Moraes mandou a PF prender usava foto do AI-5 no WhatsApp

Perícia em celular de foragida do 8/1 revelou mensagens de ameaça a ministros e defesa do regime militar

Pablo Giovanni/Metrópoles

A técnica agrícola Taís Simone Prado Leal, alvo de um mandado de prisão expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mantinha uma imagem do AI-5 na foto de perfil do WhatsApp.

As informações constam em um relatório detalhado da Polícia Federal (PF) elaborado a partir da perícia no celular de Taís, que é considerada foragida pelos investigadores.

O aparelho foi apreendido após ela ser presa pela PF em 10 de janeiro de 2023, no âmbito da Operação Lesa Pátria. Taís é de Petrolina (PE).

Ao analisar o dispositivo, os investigadores identificaram elementos que apontam uma participação relevante de Taís nos atos golpistas, o que motivou a rescisão do Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com o Ministério Público Federal (MPF).

A imagem utilizada no perfil continha mensagens em apoio ao AI-5 — considerado o instrumento mais repressivo da ditadura militar brasileira, que deu poderes ao presidente da República para fechar o Congresso Nacional.

“13 de dezembro de 1968. Em favor da segurança nacional, o presidente Costa e Silva cassou ministros do STF por concederem habeas corpus a criminosos comunistas”, registrava a foto de perfil.

Além disso, a PF localizou no aparelho mensagens com termos direcionados a Alexandre de Moraes, incluindo a frase “morte ao Xandão”.

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Extração de dados

A PF extraiu informações de dois celulares ligados a Taís. Em um deles, ela mencionou que estava organizando o acampamento e comprando capas de chuva e botas para viajar a Brasília.

Ela também sugeriu em um grupo de mensagens que a solução seria o apoio de atiradores (CACs) para tirar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do poder.

“Solução agora na minha opinião é os atiradores ajudar nós ou vão entregar suas armas? Os CACs?”, escreveu.

Com base em dados de geolocalização de um dos aparelhos, os investigadores constataram que, em 7 de janeiro de 2023, ela estava em Jacobina (BA) e, no dia 8, já se encontrava em Brasília.

Os registros mostram que, às 17h57 do dia em que as sedes dos Três Poderes foram invadidas, Taís estava na Esplanada dos Ministérios. Às 18h44, ela se localizava na Praça dos Três Poderes. Apesar disso, a PF não confirmou se ela chegou a ingressar no interior de algum dos prédios públicos.

Ordem de prisão

A ordem foi expedida pelo gabinete do ministro após a acusada deixar de cumprir as determinações judiciais e não ser localizada para intimação.

Taís havia firmado acordo de não persecução penal (ANPP) com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em março de 2024, no qual confessou participação no acampamento em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, onde manifestantes pediam intervenção militar.

Em março do ano passado, entretanto, Moraes revogou o acordo após a Polícia Federal (PF) extrair dados do celular da acusada. Para a PGR, os novos elementos indicam que Taís teve participação mais ampla nos atos do 8 de Janeiro do que a admitida na confissão apresentada para firmar o acordo.

Moraes decidiu expedir o mandado de prisão após Taís não se apresentar para cumprir a determinação de monitoramento eletrônico imposta pelo STF. O ministro citou que a própria Secretaria de Administração Penitenciária de Pernambuco (Seap-PE) informou ter feito diversas tentativas de contato para instalar o equipamento, mas não conseguiu localizar a acusada.

Segundo a decisão, Taís também deixou de comparecer ao juízo responsável pela fiscalização das medidas cautelares e não foi localizada para ser intimada, circunstâncias que, na avaliação do ministro, demonstraram risco à aplicação da lei penal e justificaram a decretação da prisão preventiva.

“A acusada está deliberadamente desrespeitando as medidas cautelares impostas nestes autos, revelando seu completo desprezo por esta Suprema Corte e pelo Poder Judiciário, havendo indícios claros de evasão, em evidente risco à aplicação da lei penal. Assim, não resta alternativa diferente da decretação da prisão preventiva da ré, a qual se encontra em local incerto e não sabido”, escreveu Moraes na decisão.

A coluna não conseguiu localizar Taís nem a defesa dela. O espaço segue aberto para manifestação.

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