Presidente Lula afirma que a família Bolsonaro quer “submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos”
Daniela Santos/Metrópoles

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas ao ofício enviado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo dos Estados Unidos sobre a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros. Para o petista, a família Bolsonaro faz “entreguismo” e quer submeter o país aos interesses norte-americanos.
“É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano”, afirmou Lula, em publicação nas redes sociais.
Horas antes da manifestação de Lula, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o governo federal corre contra o tempo para negociar o tarifaço antes do prazo estipulado pelos EUA — em 15 de julho.
“Estamos tentando construir um consenso. O tempo corre contra, não corre a favor, porque o prazo é 15 de julho. São muitas as questões postas”, disse o ministro.
Assim como Lula, o ministro criticou “interferências” na negociação do tarifaço, mas não citou nominalmente os filhos de Jair Bolsonaro. “Infelizmente algumas questões que não deveriam estar na mesa, elas são trazidas eventualmente para o debate. Isso dificulta, polui o diálogo. Todas as vezes que nós caminhamos positivamente, parece que surge algum empecilho, um atropelo, e nós precisamos superar”, relatou o chefe do MDIC.
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Em ofício ao governo norte-americano, Flávio argumentou que a imposição de novas tarifas ao Brasil poderia favorecer Lula na corrida eleitoral e pediu a suspensão da sobretaxa até o pleito.
Lula classificou a atitude como um ato de traição à pátria.
“Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois.
Na publicação, o presidente também voltou a dizer que a família Bolsonaro busca “entregar o Pix a interesses estrangeiros”.
“Não vão conseguir. O Pix é uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele. Nossa Pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros”, frisou.
Confira a íntegra da declaração de Lula
É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano.
Nós sempre vamos dialogar de igual para igual com qualquer nação do mundo.
Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois.
O mais absurdo é saber que a origem disso tudo foi motivada pela própria família Bolsonaro que defendeu publicamente o aumento de tarifas contra os produtos brasileiros.
Defender o fim do Mercosul, o bloco econômico mais importante da América Latina e que acaba de firmar um acordo histórico com a União Europeia, é outro ataque ao interesse do povo brasileiro.
Como se não bastasse, querem entregar o Pix a interesses estrangeiros. Não vão conseguir. O Pix é uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele.
Nossa Pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros.
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Argumentos
O documento enviado pelo senador Flávio Bolsonaro antecede as audiências que buscam discutir a sobretaxa de 25% do governo de Donald Trump ao Brasil. As conversas estão marcadas para a próxima segunda-feira (6/7).
Na carta, Flávio se apresenta como pré-candidato à Presidência da República e ressalta que se reuniu recentemente com Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio, para tratar das tarifas. O parlamentar pediu que o governo Trump suspenda a aplicação de sobretaxas ao menos até a realização das eleições presidenciais no Brasil, sob consequência de favorecer a reeleição de Lula.
“Os Estados Unidos têm um interesse consolidado em não tomar medidas econômicas de grande porte contra uma democracia estrangeira nas semanas anteriores a uma eleição nacional disputada, onde a ação corre o risco de ser retratada […] como uma tentativa de influenciar o resultado”, escreveu o senador. “Adiar a implementação até depois das eleições elimina essa caracterização”, diz.
A taxa de 25% contra importações brasileiras foi sugerida no âmbito de uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sobre práticas de comércio consideradas desleais. O governo Trump tem até 15 de julho para tomar uma decisão sobre a aplicação ou não da nova tarifa.
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