Investigações apontam que dois dos envolvidos na violência coletiva cometeram crime similar, dessa vez em 2023
Gabriela Neves/Itatiaia

Suspeitos de praticarem estupro coletivo contra adolescente em Copacabana são de classes média e alta • Divulgação| PCERJ
A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro finalizou um novo inquérito que aponta a reincidência de dois jovens envolvidos em um caso de estupro coletivo que ganhou grande repercussão no início desse ano. Segundo as investigações conduzidas pela 12ª DP (Copacabana), a dupla, que participou do crime ocorrido em janeiro no bairro de Copacabana, também realizou um ataque semelhante em agosto de 2023, desta vez, no bairro de Botafogo, na Zona Sul da capital fluminense.
Na época do crime, os suspeitos eram menores de idade, tendo 14 e 17 anos. A nova apuração aponta que eles contaram com a ajuda de um homem de 24 anos para cometer os abusos contra outra vítima, que também não havia atingido a maioridade.
Dinâmica do crime e o “Modus Operandi”
O crime de 2023 ocorreu no interior de um imóvel residencial na Rua São Clemente, em Botafogo. De acordo com o relatório policial, o adolescente mais novo (então com 14 anos) foi o responsável por atrair a jovem ao local sob o pretexto de um encontro privado.
Uma vez dentro do quarto, a vítima foi coagida a permitir a entrada dos outros dois indivíduos: o rapaz de 17 anos (morador do apartamento) e o adulto, identificado como Gabriel Oliveira Palmieri. A adolescente relatou ter sofrido agressões físicas e abusos contínuos por cerca de uma hora e meia. O grupo ainda gravou o ato em vídeo e compartilhou as imagens com o intuito de humilhá-la.
A denúncia foi motivada pela própria mãe da vítima, que procurou as autoridades policiais para relatar os abusos do passado logo após o caso de Copacabana se tornar público na mídia. Para embasar o indiciamento, a polícia anexou registros médicos das lesões sofridas pela jovem na época e mensagens trocadas por telefones celulares.
Relembre o caso mais recente
O episódio aconteceu no dia 31 de janeiro desse ano, 2026. De acordo com a Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ), a vítima, uma adolescente de 17 anos, contou aos investigadores que recebeu uma mensagem enviada por um aluno da mesma escola em que estuda, com quem ela já se relacionou entre 2023 e 2024. No texto, ele a convidava para ir até o apartamento de um amigo.
No prédio, a adolescente foi conduzida até um quarto do apartamento, onde quatro homens e um menor de idade passaram a insistir que ela mantivesse relações sexuais com eles. Mesmo após a vítima recusar, os suspeitos teriam se despido e abusado da menina, cometendo violência física e psicológica.
A vítima relatou que levou tapas, socos e um chute na região abdominal e que tentou sair do quarto, mas foi impedida. O exame de corpo de delito apontou lesões compatíveis com violência física como escoriação na região genital, além de sangue no canal vaginal. A polícia aponta que o crime tenha sido uma emboscada planejada.
Os jovens que participaram do crime são: Vitor Simonin, de 18 anos, filho do subsecretário de Governança, Compliance e Gestão Administrativa, órgão vinculado à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. Além dele, são investigados Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos, Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19, e João Gabriel Xavier Bertho, também de 19 anos. O quinto suspeito é um adolescente de 17 anos e, por isso, não teve o nome divulgado. O menor responde por ato infracional análogo a estupro.
Prisões e medidas judiciais
O adolescente cumpre medida socioeducativa de internação desde maio pelo crime cometido em Copacabana. A decisão, assinada pela juíza Vanessa Cavalieri, determinou que o jovem fique apreendido por pelo menos seis meses, sem direito a atividades externas, devido à gravidade do ataque contra a vítima de 17 anos. Os outros quatro homens que participaram do crime cometido em janeiro continuam presos e respondem na Justiça por estupro coletivo qualificado e cárcere privado.