A reação de ministros do STF ao áudio de Flávio Bolsonaro a Vorcaro

Ministros do STF avaliam que o estrago inicial do áudio de Flávio a Vorcaro será sobretudo político, mas não descartam implicações criminais

Igor Gadelha/Metrópoles

Ministros do STF reagiram, nos bastidores, à revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente bancar um filme sobre seu pai.

A avaliação de três ministros da Corte ouvidos pela coluna foi a de que, inicialmente, o episódio terá mais impacto político do que jurídico. Os magistrados, contudo, não descartam implicações criminais.

Para um ministro do Supremo com bom trânsito político, o material das conversas de Flávio e Vorcaro divulgado até agora indica que não haveria crime no pedido de financiamento privado ao filme.

Esse ministro do STF prevê, contudo, que a divulgação do material provocará “estrago político” para Flávio, que é pré-candidato ao Palácio do Planalto nas eleições de 2026.

“Se for, como dizem, um pedido de patrocínio para o filme com promessa de participação do patrocinador na bilheteria, não vejo problema. Mas acho que causa algum estrago político”, avaliou à coluna o ministro do Supremo.

Uma ala do STF pondera, contudo, que há espaço para possível investigação criminal. Para esses magistrados, alguns pontos sobre o suposto patrocínio de Vorcaro precisam ser esclarecidos.

O patrocínio de Vorcaro

A negociação entre Flávio e Vorcaro foi revelada pelo site The Intercept Brasil. O portal divulgou áudio no qual o senador cobra do banqueiro o patrocínio ao filme “Dark Horse”, que aborda a história de Jair Bolsonaro.

A cobrança de Flávio divulgada pelo site ocorreu em 16 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez por ordem do STF e dois dias antes da liquidação do Banco Master.

Segundo o Intercept, o valor total do contrato de patrocínio chegaria a R$ 134 milhões. Desse total, porém, somente R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações.

A produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, no entanto, afirmou em nota que a produção não recebeu “um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro”.

O argumento foi reforçado pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor executivo do filme. Em nota, o parlamentar disse que Flávio não teve qualquer sociedade no filme ou na produtora.

Frias afirmou que o papel de Flávio “limitou-se à cessão dos direitos de imagem da família e, naturalmente, ao peso que seu sobrenome agrega na hora de atrair investidores interessados” em financiar o projeto.

A explicação da produtora e de Mário Frias acendeu o alerta no STF e levou alguns ministros do tribunal a defenderem a investigação sobre possível crime de corrupção nesse caso.

Para magistrados, é preciso apurar se o dinheiro foi enviado para o filme ou se acabou desviado para outro destino, bem como se, em troca, Flávio atuou para favorecer Vorcaro em Brasília.

A explicação de Flávio

Em nota à imprensa, Flávio confirmou ter pedido dinheiro a Vorcaro, mas negou ter recebido vantagens. Segundo o senador, a conversa mostra “um filho procurando patrocínio privado para um filme privado” sobre a história do pai.

O senador também destacou que conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, antes das acusações sobre o caso do Banco Master, e que retomou o contato com o banqueiro em 2025 após o atraso nas parcelas do patrocínio.

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