Marcos Gabiroba e a crônica da semana “Em 1970, entrei para a Companhia Vale do Rio Doce”

Em 1970, entrei para a Companhia Vale do Rio Doce para trabalhar no Laboratório, aqui no Bairro Campestre, levado por meu inesquecível Jason Bragança de Mendonça, então, o secretário do Laboratório, sendo este comandado por um engenheiro químico competente, dr. Márcio Jardim Paixão.

Com o Jason aprendi a calcular todas as fórmulas químicas de então, e procurei sempre me aperfeiçoar naquilo que era de minha competência executar, sem falsa modéstia. Fazia cálculos o dia todo; um atrás do outro. Demorava horas e horas para encontrar resultado, numa máquina Facit. Assim foram dois anos. Num domingo, em casa, resolvi mexer com os números para se possível encontrar ou descobrir um número em que não necessitaria fazer tantos cálculos e estes demorados. Heureca! Encontrei. Fiz vários testes em casa e tudo coincidia aos que eu executava. Ao aplicá-lo no meu serviço Jason observou e ficou pasmado de alegria quando viu que os resultados das análises químicas estavam corretos e os serviços mais rápidos para o Laboratório, assim como para toda administração local. Guardei em segredo a descoberta. Executava-o com frequência e tudo correu bem até dr. Márcio Jardim Paixão ser transferido para o Km-14 em Belo Horizonte.

Com a transferência de dr. Márcio pata Belo Horizonte, substituiu-o um senhor arrogante que, ao chegar, primeiramente, não cumprimentou a ninguém e, por seu livre arbítrio modificou toda nossa, estrutura de trabalho, inclusive o nosso modo em cálculos. Observei que aquilo tinha algum “Ovo de Colombo” no meio. Neste ínterim o indivíduo fazia de tudo para colocar sua mulher no laboratório, como Técnica. Insistiu, insistiu e nada, não conseguiu. Percebendo que eu desconfiei que ele não entendia nada de química laboratorial de mineração e ouvindo eu relatar para o Jason essa realidade, três dias depois transferiu-me para a Jacutinga para trabalhar no Controle de Qualidade e trabalhar em três turnos, levando também o Jason, isto é, se livrando de nós dois. Entremeio a essas transferências despediu sumariamente uma cunhada do Jason que também trabalhava no Laboratório porque ouvira ela dizer que ele não era formado, mas sim um prático. Esta cunhada do Jason já havia trabalhado com ele num laboratório em Belo Horizonte e o conhecia de anos. Resultado: esse indivíduo resolveu participar de um Congresso de Física e Química em Portugal. Lá chegando, ao fazer sua inscrição de participação exigiram dele sua documentação registrada no Conselho Regional de Física e Química de Minas Gerais. Deu-se com os burros n’água, porque lá não constava o nome dele e sim de sua mulher. Diz velho e conhecido adágio popular:

“Quem tudo quer tudo perde” Foi despedido sumariamente da Vale e ninguém nunca se ouviu falar deste impostor falastrão. “Iustitia quae sera tamem”.

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