MPMG denuncia presidente da Câmara de Conceição das Alagoas e outras cinco pessoas por desvio de verba em desapropriação de imóveis

O grupo também responderá por lavagem de dinheiro e organização criminosa; o Ministério Público pediu a condenação e o bloqueio de bens dos envolvidos.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Conceição das Alagoas, no Triângulo Mineiro, apresentou denúncia contra o presidente da Câmara Municipal e outras cinco pessoas. O vereador, que também atua como taxista, é apontado como líder de um esquema criminoso relacionado à desapropriação de imóveis realizada pelo Município. O Ministério Público ainda pediu o bloqueio de bens dos envolvidos. 

Segundo as investigações, os denunciados integram uma organização criminosa voltada ao desvio de recursos públicos e à lavagem de capitais, no contexto da aquisição de uma área destinada a moradias populares. 

As apurações começaram com o promotor de Justiça Rodrigo Barbosa, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e resultaram no cumprimento de mandados de busca e apreensão nos endereços dos investigados. 

Após a investigação, o promotor de Justiça Fábio Bonfim apresentou denúncia e requereu o bloqueio de bens. A acusação aponta superfaturamento do imóvel desapropriado, falsidade ideológica em laudo de avaliação e ocultação de valores por meio de transferências fracionadas e saques em espécie. 

Este é o segundo vereador do município denunciado pelo MPMG em menos de uma semana. Na última quarta-feira, 4 de março, outro parlamentar foi denunciado por fraude processual e associação criminosa no acidente dos caminhões na Ponte do Rio Grande. Agora, o presidente da Câmara responderá por peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro por desvio de verba na desapropriação de imóveis. 

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No caso atual, a desapropriação de terrenos para moradias populares foi formalizada com base em laudo de avaliação que, segundo o MPMG, foi elaborado de forma fraudulenta por uma comissão municipal. O documento teria embasado o pagamento de indenizações custeadas com recursos públicos.  

A investigação aponta que o presidente da Câmara usou sua influência política para viabilizar a operação, inclusive na aprovação da norma que autorizou a abertura de crédito para a desapropriação. Conforme a acusação, o proprietário da área recebeu os valores pagos pelo Município e, depois, parte do montante foi repassada ao vereador e a outros participantes do esquema, com a intermediação de um operador financeiro. 

O Ministério Público também atribui aos integrantes da comissão de avaliação a inserção de declaração ideologicamente falsa em documento público. 

Se condenados, o presidente da Câmara e os demais denunciados podem receber pena de até 30 anos de reclusão. 

Autos nº 5000274-97.2026.8.13.0172 

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