Estados da oposição foram os mais dependentes da União em 2025

Governo pagou R$ 11 bilhões em dívidas estaduais para evitar inadimplência em 2025; Governados pela oposição, estados em crise têm socorro
Gabriela Pereira/Metrópoles

Os estados governados por partidos de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lideraram, em 2025, a lista dos entes federativos mais dependentes da União para honrar dívidas com bancos e organismos internacionais.

No ano passado, o governo federal desembolsou cerca de R$ 11 bilhões para pagar parcelas de empréstimos estaduais garantidos pela União, evitando o calote dessas administrações.

Os maiores valores foram destinados aos seguintes estados: Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás – todos comandados por governadores alinhados à oposição ao governo Lula e inseridos no Regime de Recuperação Fiscal (RRF).

Os dados constam no Relatório Mensal de Garantias Honradas pela União em Operações de Crédito e Recuperação de Contragarantias, divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional.

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Na prática, quando um estado não consegue pagar um financiamento que tem garantia federal, a União assume o compromisso para preservar a credibilidade do país junto ao sistema financeiro e aos organismos multilaterais.

Saiba o que é o Regime de Recuperação Fiscal

  • O Regime de Recuperação Fiscal é um programa criado para estados em grave crise financeira, permitindo a adoção de medidas de ajuste para reequilibrar as contas públicas ao longo de vários anos;
  • Ao aderir ao RRF, o estado recebe benefícios imediatos, como a suspensão temporária do pagamento de dívidas com a União e o socorro federal em operações de crédito garantidas, evitando calotes;
  • Em contrapartida, o governo estadual precisa cumprir um plano de ajuste fiscal, que inclui limites para gastos com pessoal, restrições a reajustes salariais, privatizações, revisão de benefícios fiscais e reformas administrativas;
  • As dívidas não pagas durante o regime não são perdoadas, mas refinanciadas pela União em prazos longos, que podem chegar a até 360 meses, empurrando o impacto financeiro para o futuro;
  • Durante a vigência do RRF, a União não executa as contragarantias dos estados, o que explica o baixo volume de recuperação imediata dos valores pagos pelo governo federal.

Em 2025, o estado do Rio de Janeiro, governado por Cláudio Castro (PL), foi o maior beneficiário desse mecanismo, com R$ 4,69 bilhões pagos pela União, o equivalente a 42,35% de todo o valor honrado no ano. Em seguida, aparece Minas Gerais, sob comando de Romeu Zema (Novo), com R$ 3,55 bilhões, o que representa 32,05% do total.

O Rio Grande do Sul, governado por Eduardo Leite (PSD), teve R$ 1,59 bilhão quitado pelo governo federal, enquanto Goiás, administrado por Ronaldo Caiado (União Brasil), contou com R$ 888,06 milhões.

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Recuperação

Desde 2016, o governo federal já desembolsou R$ 86,52 bilhões para cobrir dívidas garantidas de estados e municípios, mas recuperou apenas R$ 5,9 bilhões desse total. Somente em dezembro de 2025, a recuperação foi de R$ 25,02 milhões.

Garantias honradas pela União ao longo dos anos

(R$)

em milhões

Mutuário2016–202020212022202320242025Total
Estados32.814,248.963,289.750,8612.210,6011.312,4310.951,0986.002,50
Rio de Janeiro22.538,074.180,463.975,344.611,025.152,494.692,8345.150,21
Minas Gerais7.036,993.130,041.979,043.564,483.732,683.552,0922.995,33
Goiás1.356,921.301,481.288,31919,35903,10888,066.657,21
Rio Grande do Sul0,000,00886,571.393,371.524,071.591,915.395,92
Maranhão280,160,00547,90681,400,000,001.509,47
Pernambuco354,850,00443,86645,030,000,001.443,73
Piauí189,200,00352,16244,220,000,00785,58
Rio Grande do Norte287,69156,9835,110,000,00226,19705,97
Amapá172,44194,320,000,000,000,00366,76
Alagoas242,570,000,000,000,000,00242,57
Bahia239,800,000,000,000,000,00239,80
Roraima135,580,000,000,000,000,00135,58
Mato Grosso107,130,000,000,000,000,00107,13
Tocantins88,860,000,000,000,000,0088,86
Espírito Santo0,000,000,0061,720,000,0061,72
Mato Grosso do Sul25,600,000,000,000,000,0025,60
Paraíba0,650,000,000,000,000,000,65
São Paulo0,290,000,000,000,000,000,29
Outros0,000,000,000,000,100,000,10

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A maior parte das garantias honradas, cerca de R$ 76,97 bilhões, está concentrada justamente nos estados que participam do RRF, que têm direito à suspensão temporária da execução das contragarantias. Além disso, há outros fatores que reduzem a capacidade de recuperação dos recursos.

Um montante de R$ 1,90 bilhão refere-se a estados que tiveram valores utilizados como compensação por perdas na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Também existem R$ 368,19 milhões que não podem ser recuperados pela União por causa de decisões judiciais, envolvendo municípios como Taubaté (SP), Caucaia (CE) e São Gonçalo do Amarante (RN).

O relatório mostra ainda que, apenas em dezembro de 2025, a União precisou pagar R$ 1,48 bilhão em dívidas garantidas de entes subnacionais.

Desse total, R$ 643,96 milhões foram destinados ao Rio de Janeiro e R$ 626,19 milhões a Minas Gerais. Goiás recebeu R$ 72,36 milhões, e o Rio Grande do Sul, R$ 70,81 milhões. Também houve pagamentos a estados, como Rio Grande do Norte, e a municípios de diferentes regiões do país.

Contas em dia

Embora o mecanismo de garantias seja um instrumento tradicional da política fiscal brasileira, os números de 2025 reforçam a contradição política vivida por governadores da oposição, que criticam a política econômica do governo federal enquanto dependem fortemente da União para manter as contas em dia.

Na prática, o Tesouro segue funcionando como uma espécie de fiador de última instância, garantindo que estados em crise fiscal não entrem em inadimplência e provoquem efeitos negativos sobre o crédito público do país.

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