Adolescente de 14 anos é baleado no rosto após garoto de 13 acessar arma do pai no Oeste de SC

Vítima socorrida em estado grave passou por cirurgia. Responsável pelo disparo, de 13 anos, foi internado provisoriamente, informou o Ministério Público.

Por Caroline Borges, g1 SC

Um adolescente de 14 anos foi atingido por um tiro no rosto e socorrido em estado grave na tarde de sábado (10), em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina. O disparo ocorreu após outro garoto, de 13 anos, acessar uma pistola do pai, que é Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), segundo a Polícia Civil e o Ministério Público (MPSC).

O menino baleado foi socorrido pelo Serviço Aeropolicial (Saer) e levado ao Hospital Regional do Oeste, onde passou por cirurgia. O g1 tenta contato com a unidade de saúde nesta segunda-feira (12) para atualizar o estado de saúde dele.

Já o garoto que teria disparado o tiro foi internado provisoriamente e é investigado por ato infracional análogo à tentativa de homicídio.

De acordo com o delegado Rodrigo Moura, o pai não estava em casa no momento do disparo e deixou a arma registrada em lugar de fácil acesso. Segundo o investigador, o menino autor estava com amigos, irritou-se com a bagunça no local, pegou a arma de fogo e acertou um dos colegas.

“Em relação ao adolescente autor, o delegado de polícia de plantāo autuou ele por ato infracional análogo ao crime de homicídio tentado doloso e pediu a sua apreensão cautelar. O pedido foi deferido e o adolescente foi encaminhado ao CASEP, onde permanecerá pelos próximos dias, a princípio”, disse.

Em nota, a defesa da família do garoto responsável pelo tiro informou que ele e a vítima eram melhores amigos e que o disparo foi acidental. Disse ainda que o “fato trágico aconteceu em um momento de brincadeira” (nota no fim do texto).

O disparo foi provocado por uma pistola calibre 9 milímetros. O pai do adolescente, proprietário da arma, é investigado por omissão de cautela na guarda de arma de fogo, crime previsto no Estatuto do Desarmamento, informou o MP.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) fixa que todas as pessoas menores de 18 anos de idade são penalmente inimputáveis. A legislação estabelece uma responsabilização para casos envolvendo crianças e adolescentes: o ato infracional.

Arma usada por adolescente para atirarem amigo de 14 anos em Chapecó e janela atingida por disparo — Foto: Polícia Civil/Divulgação

O que diz o Ministério Público

Após o caso, o MP solicitou a internação do adolescente autor do disparo e sustentou que há indícios suficientes de autoria e materialidade para o enquadramento do caso.

O órgão também destacou a gravidade do caso, a necessidade de proteção integral dos envolvidos e a insuficiência de medidas mais leves diante das circunstâncias apuradas.

Além da internação provisória, solicitada pelo promotor de Justiça Wesley da Silva Müller, o MPSC pediu uma avaliação psicossocial e o acompanhamento psicológico do adolescente internado, além de atendimento psicológico para os pais.

O órgão também solicitou a continuidade das investigações, exames periciais e o prontuário médico da vítima. Todos os pedidos foram aceitos pela Justiça.

“Na decisão, a magistrada apontou a existência de indícios de autoria e materialidade, a extrema gravidade do fato e a necessidade da medida diante das circunstâncias concretas da ocorrência”, informou o MP.

Durante as diligências, foram apreendidos uma pistola Taurus PT92, uma carabina Puma calibre .357, carregadores e centenas de munições na residência

Adolescente de 14 anos é baleado no rosto após garoto de 13 acessar arma do pai no Oeste de SC — Foto: Saer SC

O que disse a defesa da família do adolescente

“A defesa do adolescente envolvido no episódio ocorrido em 10 de outubro de 2026, no qual o disparo acidental de uma arma de fogo atingiu outro adolescente, vem a público manifestar-se.

Em primeiro lugar, a defesa e a família expressam sua solidariedade ao adolescente atingido e a seus familiares, a quem dirigem todo o respeito neste momento de profunda dor.

Os dois jovens eram melhores amigos, confidentes e inseparáveis. Em nenhum momento se quis ou se imaginou que algo assim pudesse acontecer. O fato trágico aconteceu em um momento de brincadeira entre os amigos, inimaginando-se que o acidente pudesse acontecer. Logo após o ocorrido, foi o próprio adolescente que manuseava a arma quem, desesperado, chamou os vizinhos em busca de socorro. Desde então, ele se encontra em estado de choque e inconsolável.

A família recebe com serenidade a decisão que determinou a internação provisória e confia no Poder Judiciário, perante o qual todos os esclarecimentos serão prestados no momento oportuno. Por f

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