Crime, motivado por disputas no tráfico de drogas, resultou na morte de um homem e duas crianças em maio de 2024, em Ribeirão das Neves
Renato Rios Neto e Giullia Gurgel/Itatiaia

Flávio Celso da Silva, Fabiano Alves Campos, Leandro Roberto da Silva, Marcelo Alves Rodrigues e Agnes Darnlei Santos Nascimento • Reprodução
O julgamento de sete dos oito réus acusados de envolvimento na “Chacina de Neves”, será realizado na manhã desta segunda-feira (13), no Fórum de Ribeirão das Neves. O crime, ocorrido em maio de 2024, chocou o estado ao vitimar duas crianças e um adulto durante uma festa de aniversário infantil no bairro Areias. A sessão deve se estender por pelo menos três dias.
A ação dos criminosos ocorreu durante a festa de aniversário de 9 anos de Heitor Felipe, no dia 23 de maio de 2024, por volta das 19h. O menino tinha o sonho de ser jogador de futebol e era torcedor do Cruzeiro. Ele foi destaque como atacante na escolinha do rival, Atlético, e treinava em uma escolinha conveniada ao América. Além dele, Laysa Emanuele Pereira de Oliveira, de 11 anos, prima de Heitor, e Felipe Júnior Moreira Lima, vulgo ‘Melese” e pai de Heitor, de 26 anos, morreram.

Heitor Felipe, Laysa Emanuele e Felipe Júnior Moreira Lima, vulgo ‘Melese” • Redes sociais
De acordo com as investigações, a ação criminosa foi praticada por bandidos que atuam no tráfico de drogas no Morro Alto, em Vespasiano, onde inclusive morava o ‘alvo principal’, Filipe Junior Moreira Lima, de 26 anos. Ele era um ex-parceiro dos mandantes do Morro Alto e tinha tido um desentendimento há alguns anos com os criminosos.
No entanto, a motivação do crime seria para ‘eliminar’ qualquer pessoa associada ao Morro Alto que era contra volta de um traficante expulso. A ação seria em apoio a um mandante da Vila Joana D’arck, região do Barreiro em BH que está preso.
Réus
Dos oito denunciados, sete estão sendo julgados nesta etapa. O processo de Pedro Paulo Ferreira Lima, o “Paulinho Satan”, foi desmembrado no último sábado (11) devido ao seu estado de saúde, uma vez que ele se encontra preso e em tratamento contra tuberculose. Paulinho é apontado como um dos organizadores da chacina, tendo participado do planejamento de dentro do sistema prisional.
Entre os julgados hoje, três são apontados como mandantes e chefes do tráfico no Morro Alto: Leandro Roberto da Silva (“Berola”), seu irmão Flávio Celso da Silva (“Alemão”) e Marcelo Alves Rodrigues (“Tigordo”). Como os três permanecem foragidos, o julgamento ocorre à revelia. Também sentam no banco dos réus:
- Agnes Danrlei Santos Nascimento (“Biscoito”): apontado como um dos atiradores e preso posteriormente no Espírito Santo;
- Yago Pereira de Souza Reis: também identificado como atirador, preso em uma UPA em Contagem após ser baleado no dia do crime;
- Ivone Silva de Almeida: vizinha da família das vítimas, acusada de monitorar a festa e repassar informações privilegiadas aos executores;
- Fabiano Alves Campos: irmão de “Tigordo”, suspeito de prestar apoio logístico ao assassinato.
A decisão de levar o grupo ao Tribunal do Júri foi assinada em fevereiro, mantendo a prisão preventiva de sete envolvidos. A expectativa é de um julgamento longo e complexo devido ao número de réus e à gravidade das qualificadoras.
Em um vídeo, Evelyn, a mãe de Heitor, fez um desabafo emocionado e pediu apoio. “Eu sempre corri pelo que está lá dentro. O que eu tinha que pagar com a justiça, eu já paguei. Hoje estou aqui de cabeça erguida”, afirmou, referindo-se a passagens anteriores pela polícia durante sua adolescência. Evelyn reforçou sua confiança na condenação dos envolvidos: “Quem tiver de provar sua inocência está aí para provar, mas eu não acredito que tenha nenhum inocente nesse processo”. Evelyn encerrou seu pedido por justiça com um apelo por orações e força positiva: “Hoje a justiça que eu paguei é a mesma que eu recorro. Espero que ela seja feita”.