Antes considerada uma arte rara, atualmente é muito fácil encontrar pessoas tatuadas por aí. De uns anos para cá, é possível dizer até que hoje em dia é difícil achar alguém sem desenhos na pele. Em contrapartida, mesmo com a disseminação das “tattoos”, ainda há um debate sobre os possíveis riscos que a tinta pode causar no corpo, especialmente em relação ao câncer de pele.
Afinal, fazer tatuagens aumenta o risco de câncer? Na avaliação dos especialistas entrevistados pelo Metrópoles, a resposta ainda é controversa, devido à falta de concordância entre diferentes estudos – uns afirmam que há relação e outros que não.
Um dos mais recentes foi liderado por pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia. No trabalho, os cientistas apontam que pessoas tatuadas têm um possível aumento de 29% no risco de melanoma, o tipo mais grave e agressivo de câncer de pele, conforme resultados publicados no European Journal of Epidemiology em novembro.
“A teoria é que a tatuagem causa um dano na pele e envolve a introdução de pigmentos. Isso pode desencadear dermatites, alergias e outras doenças de pele. Em relação ao câncer especificamente, a associação ainda é controversa, mas há estudos que também investigam possíveis relações com outros tipos de câncer, como linfoma”, explica a dermatologista Paola Canabrava, do Hospital Santa Lúcia Norte, em Brasília.
O que de fato já é comprovado cientificamente é a possibilidade de reações alérgicas ou outras respostas do organismo quando a tinta entra em contato com a pele. “O pigmento é composto por substâncias exógenas, ou seja, estranhas ao corpo”, afirma a dermatologista Priscila Ishioka, do Einstein Hospital Israelita, em São Paulo.
Tatuagem pode aumentar risco de câncer indiretamente. Entenda
Por outro lado, as tatuagens podem elevar, de forma indireta, o risco de câncer de pele. A situação ocorre quando são realizados desenhos sobre regiões com pintas, especialmente pintados com cores escuras. Assim, o trabalho de detecção de sinais precoces de câncer de pele fica mais complicado.
Tatuar regiões com pintas é contraindicado por dermatologistas
“É como se houvesse uma pintura ou uma canetinha por cima de uma figura. A tinta da tatuagem pode encobrir detalhes importantes da lesão, o que prejudica a avaliação clínica e o exame dermatoscópico”, ressalta Priscila.
Ambas especialistas recomendam não tatuar nada sobre sinais já existentes no corpo, de modo que a região fique visível para a verificação de possíveis alterações perigosas ligadas ao câncer. “A tatuagem pode camuflar esses sinais e atrasar o diagnóstico”, alerta Paola.
Cuidados com a pele tatuada e rastreio do câncer
Os cuidados com a pele tatuada e a sem desenho não diferem muito. A prioridade sempre deve ser a proteção solar, ainda mais com o aumento dos raios ultravioleta (UV) nos últimos anos. Entre as principais orientações, estão:
Passar protetor solar na região tatuada, ao se expor ao Sol;
Reaplicar a proteção a cada três horas;
Sempre manter a região tatuada bastante hidratada.
Se possível, utilizar outras proteções, como roupas com proteção UV e bonés, para evitar a exposição direta da pele.
Já em relação a periodicidade de idas ao dermatologista, as médicas afirmam depender mais do tipo de pele do paciente do que se ele é tatuado ou não.
“Pessoas que têm muitos nevos, ou seja, muitas pintas, devem fazer acompanhamento mais próximo, geralmente a cada seis meses. Quem tem poucas pintas pode realizar um exame dermatológico geral pelo menos uma vez por ano”, recomenda a especialista do Einstein Hospital Israelita.
Para indivíduos com históricos de alergia, dermatites ou com doenças de pele como psoríase e vitiligo, o cuidado na hora de tatuar deve ser redobrado. “Nesses casos, é importante avaliar bem antes de decidir fazer o procedimento, pois ele pode desencadear lesões ou reações alérgicas”, conclui