De 75 para 400 alunos da rede pública: projeto musical cresce na BR-040 em Minas

Com apoio da EPR Via Mineira, iniciativa que era realizada em Congonhas agora alcança estudantes também em Conselheiro Lafaiete e Barbacena

Quando Leandro Dornelas, 10 anos, filho de Ericka Dornelas, chegou em casa pela primeira vez com uma flauta doce nas mãos, eles não imaginavam que aquele instrumento simples marcaria o início de uma transformação. Moradores do bairro Pires, em Congonhas, Ericka conta que, desde que o menino começou a participar do projeto Música e Cidadania Transformando Futuro, da Orquestra Jovem das Gerais, há um ano, a rotina, o comportamento e até a forma como o filho passou a enxergar o próprio futuro mudaram.

“A música fez uma diferença muito grande na nossa vida. O Leandro ficou mais concentrado na escola, mais disciplinado e muito mais confiante. Já se apresentou em dois recitais e chega em casa  animado, querendo mostrar tudo o que aprendeu. A gente percebe que ele começou a sonhar mais alto”, relata a mãe.

Histórias como a dele devem se multiplicar em 2026. O projeto, que no ano passado atendeu 75 crianças em Congonhas, foi ampliado e passará a alcançar 400 alunos da rede pública em três municípios às margens da BR-040: Conselheiro Lafaiete, Barbacena e Congonhas. A expansão é viabilizada com apoio da EPR Via Mineira, por meio da Lei de Incentivo à Cultura e do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (FIA).

A iniciativa oferece ensino gratuito de flauta doce. Ao longo de dez meses, os alunos participam de processos formativos com aulas semanais, que utilizam a música como ferramenta de desenvolvimento cognitivo, social, emocional e estético, contribuindo para a formação integral dos participantes.

Em Congonhas, a Escola Municipal Doutor Victorino Ribeiro, onde Leandro estuda, é uma das unidades que recebem o projeto e fica na altura do km 605 da BR-040. A instituição está localizada no primeiro trecho que será duplicado pela concessionária, entre os km 602 e 612, com início das obras previsto para o segundo semestre, reforçando os investimentos voltados ao desenvolvimento da região.

Para a gerente de Sustentabilidade da EPR Via Mineira, Flávia Amado, investir em projetos como esse é uma forma concreta de contribuir para o desenvolvimento social das regiões por onde a concessionária atua. “A prosperidade compartilhada acontece quando o desenvolvimento da infraestrutura gera impacto positivo nas comunidades, seja por meio da segurança viária, da geração de empregos ou do apoio a projetos como esse, que ampliam horizontes para crianças e jovens. Nosso papel é contribuir para que os municípios se fortaleçam junto com a nossa atuação”, reforça.

A parceria também garante a continuidade das oficinas de instrumentos de corda e das atividades administrativas na sede da Orquestra Jovem das Gerais, fortalecendo toda a cadeia de formação musical.

A música como futuro

O impacto do projeto já pode ser observado em trajetórias que avançaram para além da educação básica. Duas jovens formadas pela Orquestra Jovem das Gerais conquistaram neste ano vagas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Eduarda Luíza foi aprovada em Bacharelado em Música com habilitação em Violoncelo, e Beatriz Gonçalves em Licenciatura em Música.

Segundo o coordenador geral do projeto, Renato Almeida, ambas começaram em aulas de musicalização e flauta doce na rede pública antes de avançarem para outros instrumentos. “Começaram exatamente como o Leandro. Foram se dedicando, avançando para outros instrumentos, participando da orquestra, até chegarem à universidade”, conta.

Ele destaca que muitos retornam ao projeto como multiplicadores, assumindo oficinas e tendo ali a primeira oportunidade profissional. “A continuidade desse trabalho, com o apoio da concessionária, é o que permite que mais crianças tenham acesso a esse mesmo percurso. A gente leva música, inclusive música clássica, a lugares onde ela muitas vezes não chega. Democratizar o acesso à cultura é desenvolver pessoas e comunidades, ampliando repertório, disciplina, sensibilidade e perspectiva de futuro”, explica.

Ao saber da aprovação das jovens, Ericka se emocionou. “Isso também pode ser o sonho do meu filho. É muito emocionante ver o poder transformador da música. Sou muito grata por ele fazer parte de um projeto como esse e por nossa comunidade ser contemplada por uma oportunidade tão especial”, finaliza.

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