Segundo a Polícia Civil, o piloto utilizava as meninas como intermediárias para se aproximar de outras possíveis vítimas, entre 11 e 14 anos
Julia GandraMarcus Pontes/Metrópoles

O piloto Sérgio Antônio Lopes, preso na manhã desta segunda-feira (9/2), no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, por explorar sexualmente crianças e adolescentes, aliciava mães e avós das vítimas e deixava claro, nos encontros: “Gosto de crianças”, ele dizia, segundo apuração da Polícia Civil.
De acordo com a delegada da Polícia Civil, Luciana Peixoto, o piloto Sérgio Antônio Lopes se aproximava inicialmente das mães e avós, com quem já havia mantido algum tipo de relação amorosa, e depois passava a se aproximar das meninas. O piloto pagava de R$ 30 a R$ 100, remédios e até aluguel para cometer os abusos. Ele oferecia os pagamentos para mães e responsáveis de crianças, que “vendiam” suas filhas para Sérgio Antônio.
Ainda segundo a delegada, o piloto pedia para que as meninas perguntassem se tinham outras amigas, que tivessem entre 11 a 14 anos. Ele se referia a elas como “garotinhas” e deixava claro, em diferentes ocasiões, que gostava das “novinhas”.
“Ele utilizava a sua capacidade financeira exatamente para poder calar as vítimas e as mães. Mas a gente ainda vai avançar na investigação, porque possivelmente existem outras pessoas, que são abusadoras também”, completa a delegada Luciana Peixoto.

Entenda o caso
Uma mulher de 55 anos também foi presa, suspeita de ter “vendido” as três netas, de 10, 12 e 14 anos, para serem submetidas aos abusos.
O piloto Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, foi preso temporariamente na manhã desta segunda-feira (9/2) dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
A prisão, feita pela Polícia Civil, ocorreu durante os procedimentos de embarque do voo LA3900 (São Paulo/Congonhas–Rio de Janeiro/Santos Dumont).
Lopes é acusado de integrar uma “rede criminosa estruturada voltada à exploração sexual de crianças e adolescentes”.
A prisão ocorreu no âmbito da Operação Apertem os Cintos, da 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia. Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão contra quatro investigados em São Paulo e em Guararema, na região metropolitana.
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Piloto usava documento falso para entrar em motel
Segundo a investigação, Sérgio Antônio Lopes levava as vítimas a diferentes motéis e utilizava documentos falsos para conseguir entrar nos estabelecimentos. Para burlar a fiscalização, ele também fazia com que as meninas usassem acessórios como perucas e óculos escuros, com o objetivo de aparentarem ser mais velhas e, assim, facilitar o acesso aos locais. No momento da prisão, os policiais encontraram na carteira do piloto um registro de identidade pertencente a outra pessoa.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o inquérito policial começou em outubro de 2025. Desde então, já foram identificadas três vítimas, com 11, 12 e 15 anos, todas submetidas a graves situações de abuso e exploração sexual. Segundo a Polícia Civil, a rede criminosa estruturada era voltada à exploração sexual de crianças e adolescentes.
Em nota, a Latam confirma que está ciente do ocorrido e diz estar à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. “A companhia repudia veementemente qualquer ação criminosa e reforça que segue os mais elevados padrões de segurança e conduta”.
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