Hoje, 4 de fevereiro, ainda acho que Lula será reeleito. A receita é a de sempre, e tenho uma suspeita sobre certos movimentos
Mario Sabino/Metrópoles

Hoje, 4 de fevereiro, ainda acho que Lula será reeleito. A receita é a de sempre: tem eleitorado cativo expressivo, sabe tapear em campanha, tem a máquina federal nas mãos, vai despejar toneladas de dinheiro público suplementar sobre os pobres e há um monte de políticos que se bandearão para o seu lado ou que já se bandeou. Aliás, cheguei a ter uma suspeita sobre a qual falarei mais adiante.
A falta de definição do lado da oposição também ajuda Lula. As pesquisas eleitorais têm mostrado que a candidatura de Flávio Bolsonaro, que começou como sequestro para tentar livrar Jair da cana dura, é viável. Mas Flávio enfrenta resistência dos partidos do Centrão, inclusive do PL.
Essa gente reta e vertical acha que o discurso bolsonarista dificulta as alianças regionais, essenciais para eleger bancadas estaduais e federais suficientemente grandes para manter o butim dos fundos partidário e eleitoral bem gordalhão.
Leia também
- Depois de Caiado, Kassab filia o governador de Rondônia no PSD
- Kassab: candidato à Presidência pelo PSD será definido até 15 de abril
- Ao ir para o PSD, Caiado apaga ofensa a Kassab: “Cafetão do Planalto”
Há gente bem-intencionada que insiste em nutrir o sonho com o que se convencionou chamar de terceira via. E a terceira via da vez seria o PDS, de Gilberto Kassab. A selva selvagem brasileira está cheia de boas intenções.
Kassab tem, agora, três potenciais candidatos: Ratinho Junior, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite. Ouvi de uma fonte que Kassab pegou três pangarés e está vendendo como se fossem puros-sangues ingleses. Maldade divertida. O problema, no entanto, não são os cavalos em si, mas o haras.
O cacique do PSD construiu um partido à sua imagem e semelhança. Ou seja, é um partido que não toma partido. Mais do que ambíguo, é ideologicamente ubíquo, está em todas as canoas, especialmente na do muito pelo contrário.
Em coerência com a incoerência de nascedouro, Kassab liberou os integrantes do PSD a aderir à candidatura presidencial que entenderem ser mais conveniente para eles no plano regional. Muitos permanecerão, portanto, onde sempre estiveram: com Lula.
Se o PSD vier mesmo a lançar um nome para o Palácio do Planalto, teremos, assim, um candidato presidencial que não terá apoio total do próprio partido. Não parece bom, e não é bom.
Por isso também, não é improvável que Ratinho Junior, Caiado e Leite decidam mesmo é lançar-se ao Senado, para o qual têm vagas praticamente garantidas. Ter uma bancada de senadores ainda maior faz olhos de Kassab ficarem mais azuis.
Nos meus devaneios de colunista, cheguei até a desconfiar — ei-la, a suspeita — de que Kassab havia decidido prestar favor a Lula, além de a si mesmo.
Depois de trabalhar contra a candidatura de Tarcísio de Freitas, por motivos já expostos por mim, ele estaria tratando de limpar a área de outros candidatos da direita para Lula ficar no mano a mano com Flávio Bolsonaro já no primeiro turno, o sonho dos petistas (se Flávio não jogar a toalha, obviamente). Mas parece maquiavélico demais para ser verdade, e desisti de suspeitar.
Já leu todas as notas e reportagens da coluna hoje? Acesse a coluna do Metrópoles.