Escabiose: saiba como identificar, tratar e prevenir a sarna humana

Maristela Chicarelli Chaves

Doença é causada por um ácaro microscópico e pode acometer qualquer pessoa

A escabiose, também conhecida como sarna humana, é uma infecção de pele que pode afetar qualquer pessoa, desde crianças até adultos, por meio de contato direto (pele a pele) com pessoas infectadas ou com roupas e objetos contaminados. Essa infecção tem como agente causador um ácaro microscópico chamado de Sarcoptes scabiei.

Embora a sarna humana possa atingir qualquer faixa etária, ela é mais comum em crianças em idade escolar e em idosos institucionalizados (que vivem em casas de repouso), devido à maior exposição e proximidade com outras pessoas, o que facilita a transmissão. O principal sintoma da escabiose é a coceira generalizada, chamada pelos médicos de prurido intenso. As lesões são papulosas, caracterizadas como bolinhas na pele ou caroços pequenos, e podem apresentar túneis (pequenos caminhos em linha, usados pelos ácaros para se deslocar e depositar os seus ovos) ou escavações na pele, além de escoriações (lesões superficiais, como ralados e arranhões) causadas pelo ato de se coçar.

A médica infectologista do Serviço de Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (SCIRAS) do Hospital Universitário Ciências Médicas (HUCM), Dra. Bárbara Lenoir, explica quais áreas podem ser mais afetadas: “Os locais tipicamente acometidos em adultos são os espaços interdigitais dos dedos, punhos, axilas, mamilos e aréolas, região periumbilical (localizada ao redor do umbigo), nádegas e genitais. Já em bebês que estão na fase de amamentação, a doença pode acometer palmas, plantas e couro cabeludo”.

Após o contágio, em uma primeira infestação, os sintomas aparecem entre duas e seis semanas. Esse quadro muda em casos de reinfecção: a partir da segunda infestação, os sinais surgem mais rapidamente, em um período de um a quatro dias, devido à sensibilização prévia do organismo ao ácaro. A escabiose pode ser confundida com outras doenças que causam coceira intensa, como dermatite atópica, dermatite de contato, impetigo (infecção bacteriana superficial da pele) e foliculite.

O diagnóstico da sarna humana é clínico, baseado na observação das características das lesões e no histórico de contato do paciente com pessoas infectadas. “Durante a dermatoscopia (exame realizado pelo dermatologista), o médico pode visualizar o ácaro na extremidade do túnel. Em caso de dúvida diagnóstica ou falha terapêutica, pode ser realizado o raspado das lesões para visualização do ácaro, de ovos ou de fezes ao microscópio”, complementa a especialista.

Tratamento e cuidados necessários

Iniciado o tratamento adequado, o ácaro pode ser eliminado em um período de 24 a 48 horas, mas o prurido pode persistir por duas a quatro semanas após o uso da medicação. Além do paciente diagnosticado, é importante que os moradores da mesma casa ou parceiros íntimos realizem o tratamento, ainda que estejam assintomáticos, devido ao longo período de incubação e à possibilidade de transmissão, mesmo na ausência de sintomas. Caso não seja tratada adequadamente, a infecção pode persistir, facilitando a transmissão para outras pessoas. As lesões também podem se intensificar e evoluir para uma infecção bacteriana secundária.

Considerada um problema de saúde pública no Brasil e no mundo, a escabiose pode ocorrer durante todo o ano, embora haja aumento de casos em determinadas épocas, como nos meses mais frios, devido à maior permanência em ambientes fechados.

Confira abaixo alguns mitos e verdades sobre a sarna humana, selecionados pela Dra. Bárbara Lenoir:

Mito: Sarna é falta de higiene.
Verdade: Sarna não é falta de higiene. Trata-se de uma infecção transmitida principalmente por contato pele a pele prolongado, que pode ocorrer em qualquer pessoa, independentemente dos hábitos de limpeza.

Mito: Só pega sarna quem convive em ambiente sujo.
Verdade: Pode ocorrer em qualquer ambiente, como casas, escolas, creches e hospitais. Ambientes superlotados facilitam a transmissão, mas a limpeza não impede totalmente a infecção.

Mito: Se não coçar, não é sarna.
Verdade: A maioria das pessoas apresenta coceira, especialmente à noite, mas idosos e imunossuprimidos podem ter pouco prurido, principalmente nos casos de sarna crostosa, também conhecida como sarna norueguesa, que é uma forma grave e altamente contagiosa da escabiose.

Mito: Só quem tem lesões aparentes transmite sarna.
Verdade: Pessoas com lesões discretas ou em fase inicial também podem transmitir a doença. Além disso, os familiares próximos devem ser avaliados e, muitas vezes, tratados.

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