Em uma ação que bloqueou os bens de Augusto Lima, ex-sócio do Master, Justiça de São Paulo encontrou o valor na Reag
Isadora TeixeiraSamara Schwingel/Metrópoles

Meses antes de ser um dos alvos da Operação Compliance Zero, o ex-sócio do Banco Master Augusto Lima teve os bens bloqueados pela Justiça de São Paulo. O bloqueio foi feito em 29 de abril de 2025, quando foram encontrados R$ 112 milhões aplicados em uma conta de Augusto na Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A — fundo que foi liquidado pelo Banco Central quinta-feira (15/1) e alvo da segunda fase da Compliance Zero.
Segundo os documentos da Justiça de São Paulo, o bloqueio foi determinado em uma ação de execução de dívida. A família ex-proprietária do Banco Voiter, que foi vendido ao Master em 2024, solicitou liminar para bloquear bens dos banqueiros do Master no valor original da dívida, de R$ 470,5 milhões.
A 22ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) autorizou o bloqueio dos valores nas contas dos executivos. A restrição durou apenas oito dias porque as partes fecharam o primeiro acordo.
Leia também
- Alvo da PF, fundador da Reag renuncia a cargo em empresa listada na B3
- Reag liquidada pelo BC: entenda o que vai acontecer a partir de agora
Na época, a Justiça encontrou valores em outros bancos em nome de Augusto. Mas a maior fatia estava na Reag. Veja:
R$ 0, 44 no Pluxee IP.
R$ 484 mil no Bradesco;
R$ 317,4 mil no Santander;
R$ 274,41 no Banco do Brasil;
R$ 112,8 milhões na Reag Trust DTVM;
R$ 2,3 mil no Master;

Histórico da Reag
A Reag Investimentos já foi considerada o empreendimento de maior sucesso instalado no maior centro financeiro do país, a Faria Lima, em São Paulo. Em apenas cinco anos, de 2020 até 2025, o patrimônio sob a gestão da Reag se multiplicou por quase 14 vezes: foi de R$ 25 bilhões para R$ 341 bilhões.
No entanto, o sucesso da Reag começou a ser observado por outro prisma com o início das operações da PF envolvendo a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e a Faria Lima.
O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, foi um dos alvos da Compliance Zero na quarta-feira (14/1), e a Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão, em endereços ligados a ele, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação também atingiu o empresário Nelson Tanure, conhecido por investir em empresas em dificuldades financeiras.
Segundo nota do BC, a decretação da liquidação extrajudicial da Reag é motivada por “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN)”.
Procurada, a defesa de Augusto Lima informou que não vai se manifestar.
Já leu todas as notas e reportagens da coluna hoje? Acesse a coluna do Metrópoles.