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COLUNISTAS
Marcos Gabiroba e a crônica da semana “Meu personagem inesquecível: minha mãe”!
20/11/2018

Ela nasceu exatamente, no dia 18 de novembro de 1902, portanto, nesta mesma data e corrente ano, se viva fosse, completaria 116 anos. Filha legítima de Teóphilo Alves da Cunha e Maria Rosa de Lima Alves da Cunha. Era descendente de família importante da cidade, na época. Minha avó materna casou-se com o meu avô, quando tinha somente 13 anos e ele, já era bastante maduro. Minha mãe conviveu com seus pais e um único irmão, até os sete anos. Com a separação de sua mãe de seu pai em 1909, claro ela uma jovem muito bonita e ele de criação rígida e os negócios não iam muito bem, a incompatibilidade da diferença de idade entre ambos tornou-se uma gota d’água e, isso o inevitável aconteceu. Meu avô, perdidamente apaixonado por minha avó, descontrolou-se e a bebida alcoólica tomou lugar em sua vida e tudo foi por água abaixo. Já estando no segundo ano escolar, devido às dificuldades de seu pai que exercia a profissão de ourives, foi então, morar em casa de sua tia e madrinha, onde permaneceu até completar 16 anos. Nessa idade foi trabalhar na Companhia União Itabirana, posteriormente transformada em Fábrica de Tecidos da Gabiroba, lá permanecendo até casar-se com meu pai, Seth Germano Alves, isto, em julho de 1926. Do seu casamento, nasceram 13 filhos, sendo sete homens e seis mulheres, dos quais cinco ainda estão vivos e gozando de muita saúde, paz e bem. Ah! Ia me esquecendo: seu nome de batismo era Olinda de Paula Alves. Depois de casada suprimiu o sobrenome “de Paula” tornando-se conhecida e muita amada por seus filhos e por todos que com ela conviveram com o nome de Olinda Alves, ou, simplesmente, dona Olinda.

Viveu ao lado do marido, meu pai, por mais de cinquenta e quatro anos. Lutou com todas as dificuldades para ajudar a meu pai a criar todos os filhos, porém, criou-os na honradez, dignidade e, acima de tudo no caráter. Era uma mulher alta, morena, linda, uma mãe exemplar. Cozinheira de mão cheia. Fazia todos os tipos pratos alimentares com amor. Na época, foi uma confeiteira sem igual; doces, biscoitos de polvilho, bolachas, bolachinhas, bolos de várias espécies e uma das poucas que vi fazer mingau e biscoitos de araruta. Além, de tudo isso, como dona de casa, cuidava de uma horta diariamente, onde nunca faltou no almoço ou na jantar verduras, legumes e toda iguaria do gênero. Possuíamos um quintal onde se destacava um pomar com todas as frutas, sob os cuidados de meu pai, minha mãe e de todos os filhos enquanto não se tornaram empregados. Naquela época não existia ainda o fogão a gás, era mesmo o saudoso e inesquecível fogão à lenha, mantido por lenhas que, inicialmente eram fornecidas, gratuitamente, pela fábrica aos seus empregados. Com a crise advinda, depois da guerra mundial, nos idos de 1946 a 1950, a fábrica deixou de fornecer as lenhas de forma gratuita, obrigando aos empregados a pagarem o preço, não exorbitante, àqueles que usufruíssem desse insumo para manutenção dos fogões. Como papai ganhava muito pouco, somente, o suficiente para pagar o armazém, que era da própria empresa, mamãe e todos os filhos, que ainda não estavam empregados, com o fito de ajudar nosso pai a manter seus compromissos em dia, passamos a colher lenhas nas matas que envolviam os terrenos da fábrica. Com essa nossa atitude, dávamos de seis a dez viagens por dia, nesse vai e vem trazendo esse insumo para, com isso, aliviarmos o bolso de nosso pai e sobrar o suficiente para a compra de outros materiais, tais como, livros, cadernos, lápis, caneta tinteiro e alguns pares de “alpagartas”, sapato da moda, para evitar que pisássemos em espinhos ou em algum bicho peçonhento. Durante anos assim vivemos, até cada um tomar o seu rumo na vida. Mamãe, impreterivelmente, levantava-se às 5 horas da manhã. Quando papai e meus irmãos se levantavam para ir ao trabalho nunca tomaram o café da manhã dormido. Após a higiene matinal todos se alimentavam com ovos quentes, leite já fervido, café fresco, frutas sobre a mesa, bolachas, bolachinhas, biscoitos, bolos, pão de queijo e outras iguarias, assim como os que não estavam trabalhando se preparavam para a vida escolar obrigatória. Fiel aos seus princípios morais educou todos os filhos na dignidade, sendo o seu cotidiano voltado para a administração da casa e do lar, sempre com um amor, sem medida, no trabalho. Era austera e de pulso forte. Todas as nossas roupas e toda roupa de cama da família eram, inicialmente confeccionadas, lavadas por ela e, na maioria das vezes, eram passadas por nossas irmãs. Naquela época ainda não existia o ferro elétrico e usava-se o ferro a brasa. Quem foi, ou é do nosso tempo lembra. Quantas vezes eu vi minha mãe costurando. Vestidos para minhas irmãs, calças e cuecas para meus irmãos, sem contar, inúmeras camisas de todos os tipos, vestimentas estas que jamais nos envergonhávamos diante de amigos ou semelhantes. Todas as noites, impreterivelmente, antes de deitar-se, ela assentava numa banqueta à porta da cozinha e com seu terço de Nossa Senhora das Graças rezava-o, contemplando os mistérios Gloriosos, Gozosos e Dolorosos da vida da Virgem Mãe, quiçá os mistérios de sua própria vida. Era hábito em nossa casa, rezarmos juntos todas as noites e, principalmente às quartas-feiras o terço e aos sábados, o Rosário completo e o Ofício a Nossa Senhora, cantado. Cultuá-la nesses seus 116 anos de existência, ainda que seja de forma espiritual é imperativo de todos os seus filhos ainda pertencentes a este planeta terra. Lembrar-me da mulher que viveu com exemplar modéstia, simples de costumes e preocupada tão somente em deixar o legado do dever cívico, moral, espiritual e religioso cumprido até as últimas consequências foi seu dever. Obrigado mamãe! Parabéns, mamãe!

Você ainda vive em nós. Muito obrigado Deus, por mamãe ter existido... Na eternidade completa 116 anos, sendo setenta e oito no seio de sua família. Partiu como todos nós um dia partiremos, por isso, minha homenagem a esta mulher inesquecível: minha querida mãe, Olinda Alves, até a eternidade. Obrigado Deus!








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