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COLUNISTAS
Marcos Gabiroba e a crônica da semana Dom Marcos Noronha, um arauto de um tempo que se chama hoje!
19/02/2018

Ontem, 16 de fevereiro, completaram-se vinte anos da morte de Dom Marcos Antônio Noronha, nosso primeiro bispo diocesano. Nascido cidade de Areado, então pequena cidade do interior de Minas, próxima a Guaxupé, aos três dias do mês de outubro do ano de 1924. Contam os registros de sua vida que, desde criança sonhava em ser padre. Nas brincadeiras entre crianças seus futuros amigos, quando surgia uma oportunidade vestia-se de padre, com paramentos de folha de jornal, já demonstrando sua vocação.

Cursou seus primeiros estudos normais em sua terra natal e, quando completou oito anos foi para o seminário Nossa Senhora das Dores, em Guaxupé, lá permanecendo por três ou quatro anos, quando então, foi transferido para Belo Horizonte, no Seminário Cristo Redentor até ordenar-se sacerdote, em 1947, aos 23 anos de idade. Após sua ordenação sacerdotal na Catedral de Guaxupé, e as festas da primeira missa em sua terra natal, retornou a BH e durante dois anos foi o mestre de cerimônia do Bispo Metropolitano, Dom Cabral, onde uma de suas funções era ditar as regras que seriam cumpridas, desde o Bispo, aos mais humildes integrantes em todas as solenidades litúrgicas. Em Guaxupé, na Catedral onde fora ordenado, após os festejos naturais, foi determinado a ele que se dirigisse à localidade de São Tomás de Aquino, onde morava o antigo pároco de Areado, já bastante debilitado pela doença, padre este que o havia batizado, isto, até o seu desenlace. Na sua terra natal, foi residir com o senhor bispo diocesano, agora como secretário da Diocese, logo, logo, sendo nomeado Chanceler da Diocese, onde exerceu essa função em pleno acordo com os demais sacerdotes e onde pôde começar a realizar seu grande sonho de reorganizar as comunidades católicas ouvindo a todos indistintamente e ajudando seus conterrâneos necessitados em seus problemas pessoais e comunitários. Com isso, Marcos Noronha foi solidário com as pessoas e tornou-se muito querido, venerado pelo povo, mostrando-se disponível para ajudar e a agradar a todos, ora com brincadeiras, piadas e casos superengraçados que sempre divertiam a todos aqueles à sua volta. Ele se destacava pelo senso de bom humor e presença de espírito. Se alguém contasse-lhe uma piada ou caso, poderia saber que ele iria passar para frente, lembrando e comentando através de gargalhadas, o fato acontecido, mesmo muito tempo depois. Ficava muito feliz quando à noite, encontrava seus amigos e parceiros para jogarem baralho. Seu jogo predileto era “buraco”, tomando seu delicioso cafezinho, seu vício, isto sendo repetido mesmo muito tempo depois de se renunciar e viver uma vida autônoma. Assim viveu sua vida de sacerdote em Guaxupé, até ser nomeado por João XXIII, referendado por Paulo VI o primeiro bispo da recém-criada Diocese de Itabira, desmembrando esta diocese da Arquidiocese de Mariana. Inicialmente, pensou em recusar, pois sequer sabia onde existia esta cidade, Itabira. Isto, em sete de julho de 1965, quando contava com apenas quarenta anos de idade, sagrando-se Bispo da neo Diocese de Itabira, em vinte e quatro de agosto do mesmo ano, quando então, conheceu a cidade e o rebanho que iria tê-lo como pastor e semeador.

Por cinco anos de trabalhos intensos, dom Marcos Noronha foi bispo desta diocese encravada na região centro-leste do Estado, precisamente nesta região do Vale do Rio Doce, terra do ouro, do minério de ferro, do mel e do fel.

Muito trabalho, muitas as dificuldades e muitos problemas. De início participou da fase final do Concílio Vaticano IIº, donde voltou com suas ideias altruístas, implantando, inicialmente, as Comunidades de Base, Grupos de Reflexão, Encontro de casais, e Curso para Batismo, onde sua atuação foi de fundamental importância para o crescimento da Diocese, de Itabira e de toda região Centro-Leste. Incompreendido e perseguido pela “ala conservadora da igreja católica”, por sua visão progressista, não suportando os abalos e ataques de colegas-irmãos de sua própria igreja renunciou, em vinte e um de novembro de 1970, declarando na oportunidade: “deixo a igreja porque não estava combinando com as ordens vindas do Vaticano, achando que não era certo continuar”. D fato, ele não estava concordando com a Igreja Instituição de Roma, pois havia concluído que toda instituição acaba massacrando o homem. Daí em diante passou a viver no “silêncio obsequioso”. Trabalhou em várias instituições federais e estaduais e, por onde passou como profissional deixou sua marca em definitivo e para sempre como cidadão competente e de inteligência privilegiada.

Neste instante em que busco reavivar sua memória, após vinte anos de sua partida para a eternidade, lembro-me ainda, de quando por ocasião da ECO/92, isto é, vinte e dois anos depois de sua renúncia com Itabira ainda guardada em sua memória e coração defendeu, enfaticamente, a necessidade da participação ativa do Município neste evento, quando escreveu um folheto intitulado “Itabira: a Oca na ECO onde conclamava ao povo itabirano a refletir sobre o futuro: “Itabira assistiu, passivamente, à saída de sua riqueza rolando pelas encostas do Cauê, Esmeril e Conceição. Itabira viu, silenciosamente, o fino cobrir suas várzeas e ilhou-se nas represas. Itabira assistiu, pacificamente, à desfiguração de suas terras, à eliminação de sua vegetação natural e a intromissão de um reflorestamento alienígena. Itabira presenciou, a agonia de seus mananciais. O ar de Itabira misturou-se ao pó de sua riqueza... Triste contradição: o potencial de recursos existentes, a euforia do crescimento acelerado, mas sem diminuir o grau da pobreza da população. Itabira é hoje, nessa reunião internacional, a Oca na ECO-92! E traz para a reunião o ruído das pás, das britadeiras, dos caminhões e da dinamite de 10h e 30min. A dinamite arrebata um pedaço do chão e um pedaço da gente!

Ninguém se acostumou ainda com o tremor das paredes e o grito silencioso da terra... Itabira, por todas essas marcas, é o lugar privilegiado por uma sistemática terapia de recuperação. A ECO-92 pode colocar aqui uma ESCOLA NACIONAL DE RECUPERAÇÃO DO SOLO, uma ESCOLA NACIONAL DE ECOLOGIA, dentro de Engenharia Sanitária, Geologia de Minas... É este o grito de Itabira: o grito pelo vazio deixado pelo ouro e o ferro. Sabemos que só a educação poderá reverter este quadro. “Queremos que nossa mensagem seja ouvida pelo mundo todo: Itabira quer uma FACULDADE TECNOLÓGICA ORIENTADA PARA A ECOLOGIA”. Amigos e ouvintes, assim sonhou nosso inesquecível Dom Marcos Antônio Noronha, cujos restos mortais estão guardados numa Cripta da Catedral de Itabira, onde repousa para sempre após ser trasladado da cidade de Guaxupé. E, isto só pode ser concretizado, após muito trabalhar e lutar, quase que sozinho por nosso querido Ivanir José Américo, o primeiro padre sagrado na Terra de Tutu Caramujo por Dom Marcos. Pensem nisso itabiranos. Não deixemos nossa memória se apagar, nós que abusamos absurdamente em esquecer nossos líderes, em especial deste magnífico homem que semeou a semente do bem e do amor por esta terra. O tempo é senhor de tudo, inclusive, dessa lembrança na passagem de seu vigésimo aniversário de falecimento. Amigos, a realidade aqui exposta não é uma mera coincidência, mas pura realidade, pois Dom Marcos Antônio Noronha foi um arauto de um tempo que se chama hoje, não é mesmo?








agnaldo
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