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COLUNISTAS
Marcos Gabiroba e a crônica da semana “E se Jesus Cristo voltasse agora?”
02/04/2018

Mais uma Semana Santa se finda. Mais uma vez, a humanidade celebrou a vida, paixão, a morte e a ressurreição de Cristo, com intensidade. E, mais uma vez os textos bíblicos nos colocaram diante da realidade da Cruz, este ano, inteiramente voltada ara os jovens, numa preparação para a Jornada Mundial da Juventude que acontecerá no Rio de Janeiro no mês de Julho e com a presença do Papa Francisco.

Quem quis participar da vitória deste Rei Universal, doravante terá que assumir a sua luta e passar pelo que Ele passou. Todo crescimento humano e espiritual é graça de Deus, mas requer a nossa parte de entrega e de renúncia. A morte de Cruz foi na vida de Jesus a expressão consumada de seu amor pela humanidade pecadora e de sua fidelidade ao Pai. A exclamação “Tudo está consumado” traduz para nós que nada de autenticamente humano deixou de ser assumido por Jesus, mesmo nos aspectos mais trágicos da vida humana. Somos convidados a intensificar, na oração e no serviço, o seguimento de Jesus Cristo no mistério de sua morte e ressurreição.

Para quem teve a oportunidade de ver o filme a Paixão de Cristo, do ator e diretor Mel Gibson, muito em voga durante a Semana Santa pelos canais de televisão, teve a chance de observar que o filme é muito bom, apesar dos críticos contrários, manifestarem seus pontos de vista, também contrários, achando-o muito violento.

O filme, até hoje é uma bela e contundente leitura visual do que está escrito nos evangelhos que retratam a vida de Jesus. Fala-se que há muita violência no filme. Realmente há. Mas o ritual da paixão não foi nenhum refresco. E creio que o diretor optou por este realce por duas razões: primeiro, por uma razão estético-dramática - criar ação e movimento na narrativa reproduzindo em várias cenas a terrível iconografia retratada em pinturas de grandes intérpretes do suplício do Messias. A outra razão seria teológica: carregar o fardo dos pecados de toda humanidade é um martírio insuportável, dilacerador, interminável. Ter visto este filme por mais de uma vez, coincidiu com o fato de eu ter visto, a algum tempo atrás, numa viagem à Belo Horizonte, num barranco que volteia a BR 381, um cartaz indagando: “E se o Senhor Jesus chegasse agora?”. A gente passa, vê, fica intrigado ou acha graça e vai em frente. Mas, por alguns instantes, parei para pensar. Eis uma provocante questão. E pus-me a imaginar situações dessa segunda vinda de Cristo, que tanto inquieta certas seitas e mentes. Como as pessoas se comportariam diante dele? Como Ele reagiria diante de certos fatos?

A primeira coisa que Ele talvez fizesse seria assistir a este filme do Mel Gibson para ver o que fizeram de sua vida. Ia ficar com pena de Si mesmo. Ia sofrer tudo de novo, só de ver. Ia ficar com pasmo de ter resistido a tantas horas de massacre.

Mas o pior seria quando saísse do cinema ou do televisor. Ia ver tantas e tais coisas, que concluiria que seu sacrifício foi em vão.

O próximo pasmo seria constatar quantas igrejas e seitas surgiram no rastro de suas palavras.

Não ia gostar de ver como malbarataram suas palavras. Constataria que pegaram seu nome e fizeram merchandising dele, abriram templos como quem abre franchising da fé. Seria, por isto, melhor que não indagasse o que fizeram de seus ensinamentos nesses mais de dois mil anos. Não ia acreditar na quantidade de mortes nas guerras religiosas, antes das cruzadas ou depois da inquisição. Se aparecesse, por exemplo, em Israel ou em qualquer daquelas terras da antiga Palestina, por onde mansamente pregou, ia ficar estarrecido. No lugar onde nasceu e onde pregou é onde há mais ódio fraticida. Seria difícil se movimentar entre tantas armas e bombas estilhaçando vidas. Estaria sendo vigiado por helicópteros e, em certos territórios não poderia entrar, só por milagre.

Se resolvesse subir a montanha e fazer de novo, um novo sermão, iam logo dizer: “Olha, Mestre, não é por ai! Vamos a uma estação de televisão, lá o Senhor fala via satélite para todo mundo”. Iam, é claro, dizer que precisava de um assessor de imprensa, de um relações públicas, de um “promoter”; que 12 apóstolos usando somente o gogó não iam funcionar mais.

Certamente o levariam a um “talk-show”. Caso desembarcasse no Brasil, iam sugerir o programa do Jô Soares, outros iriam lembrar e insistiriam para levá-Lo ao programa do “Faustão” ou no “Silvio Santos”. De qualquer modo, haveria um “Globo Repórter Especial” e um flash no “Fantástico”.

Ao ver que Ele se aproximava descendo sobre as nuvens, uma repórter começaria:

- “Estamos aqui presenciando a chegada do Senhor Jesus, nascido em Belém, que aqui veio para ver como vão as coisas neste mundo de Deus. Ele está se aproximando de nossas câmeras, então, vamos aproveitar e perguntar: “Cristo, por favor, diga aos nossos telespectadores quais são as suas primeiras impressões?”. É quase certo que uma marca de cerveja tentasse contratá-Lo para que demonstrasse como se transforma água em cerveja e cerveja em água. E, já que Ele é uma celebridade, ia ter um tal de pedir autógrafo e tirar fotos ao seu lado para mandar aos parentes do interior, que não acabaria nunca. Se facilitasse ia acabar na ilha de Caras.

A CIA e FBI iam colocar espiões atrás dele dia e noite; iam grampear suas conversas que tanto o Lula, a Dilma, o Barack Obama e o Putim iam querer aparecer ao seu lado nas convenções de seus partidos políticos. No Brasil, a Dilma iria querer que Ele participasse dos seus programas sociais, levando-O a visitar as obras que nunca acabam de transposição do Rio São Francisco no Nordeste, multiplicando pães e peixes para a população, levando-O ainda, para Ele ver a carnificina na BR 381.

Depois de ir daqui pra ali, indagar, opinar, participar mansamente, outras vezes iradamente como quem expulsa os vendilhões do templo, começariam as intrigas, as fofocas e, não tenham dúvidas, seria mais uma vez traído. Traído por àqueles que se dizem seus seguidores e, no entanto, matam e trucidam populações inocentes; iria, enfim, para julgamento sumário, diante das câmeras de televisão para aumentar o IBOPE.

E, depois de apanhar como se apanha desses “pityboys” nas portas das boates e antes de ser executado nos subúrbios de nossa indiferença, seria sequestrado, mantido em cativeiro sob a pressão de pagamento de fabuloso resgate, e, consumado o crime, os jornais do dia seguinte seriam capazes de estampar em sus páginas: “Foi encontrado morto ontem, numa vala, o corpo de um indivíduo que insistia ser Jesus Cristo. Seus parentes e vizinhos disseram que sempre temeram que esse fosse o seu fim, pois, Ele tinha umas ideias muito estranhas e vivia falando coisas que ninguém nunca levou à sério.

Gente, aproveitemos esta Semana Santa para refletirmos e nos prepararmos para o grito da Ressurreição. Jesus Cristo está vivo, no meio de nós, nos pobres e famintos, nos sem casa e no sem teto, nos sedentos de água e de justiça, nos presos e nos drogados, nos hospitais e casas de saúde, nos asilos onde estão os velhos esquecidos e abandonados e especialmente em todas as mulheres e mães que são brutamente assassinadas diariamente e, em todos aqueles que nada têm. É preciso que deixemos, de uma vez por todas, nosso egoísmo, nosso descaso, nosso conforto material, pois a cegueira, o mutismo, a surdez e a insensatez são os pilares que dominam o mundo moderno, e não sejam o nosso púlpito de vida, não é mesmo? Pensem nisso. Ótima e abençoada semana pra todos e Feliz Páscoa!








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